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Putin e Zelenski têm primeira conversa sobre paz na Ucrânia

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os presidentes Vladimir Putin, da Rússia, e Volodimir Zelenski, da Ucrânia, tiveram sua primeira conversa por telefone nesta quinta (11). O ucraniano tomou a iniciativa de ligar, segundo informou o Kremlin.

Putin não conversava com um líder do país vizinho desde junho do ano passado, quando teve uma tensa conversa com o antecessor de Zelenski, Petro Porochenko, derrotado pelo famoso comediante televisivo no segundo turno da eleição presidencial de abril deste ano.

Depois disso, houve um grave incidente no estreito de Kerch, uma faixa de águas do mar Negro que separa a Crimeia, região que a Rússia retomou da Ucrânia em 2014, de território russo. Em novembro, a Marinha de Moscou apreendeu três navios de Kiev que entraram na área sem autorização, e até hoje 24 marinheiros estão presos.

Em dezembro, Porochenko tentou falar com Putin, mas ele não atendeu o telefone. Para o Kremlin, ele queria fazer proselitismo pacifista em meio à campanha eleitoral que viria a perder para o famoso comediante de TV.

A eleição de Zelenski, que só entrou na corrida presidencial em janeiro, foi uma surpresa política enorme. Sua maior experiência política até então era ter vivido um professor que é eleito inesperadamente, devido à popularidade de um discurso seu na internet, como presidente da Ucrânia no programa de TV "Servo do Povo".

Zelenski transplantou a temática e até o nome do programa para a vida real -Servo do Povo é o nome de seu partido. Assumiu em maio sob enorme desconfiança dos atores políticos tradicionais, que ora o veem como um fantoche do bilionário dono da TV que veiculava seu show, ora como um aliado potencial de Putin.

Os presidentes falaram provavelmente em russo, que é a língua natal do ucraniano e é falada amplamente em seu país. Eles discutiram, segundo o Kremlin, a questão dos marinheiros presos e a continuidade do conflito no leste da Ucrânia.

Putin anexou a Crimeia, região historicamente russa e com maioria étnica afiliada a Moscou, depois que um golpe derrubou o presidente pró-Kremlin em Kiev no começo de 2014. Na sequência, houve tentativas separatistas em várias cidades grandes da Ucrânia, sem o mesmo sucesso.

Mas a região de maioria russa étnica do Donbass, importante centro industrial desde os tempos da União Soviética, viu explodir uma guerra civil. Já morreram, segundo a ONU, cerca de 13 mil pessoas. No momento, as escaramuças são esporádicas, mantendo o conflito em um estado congelado.

Zelenski quer mudar isso, até para tentar retomar alguma normalidade institucional em seu país, sob grave crise econômica. Em sua campanha, foi cauteloso: tinha de criminalizar o Kremlin sob pena de perder apoio doméstico, mas sempre falou em diálogo. Já Porochenko manteve uma retórica mais inflamada.

Sempre segundo o relato oficial dos russos, os presidentes discutiram retomar os diálogos com base no Grupo da Normandia, formado pelos dois países, França e Alemanha. Com isso, seriam descartadas as tentativas de acomodação que ocorreram sob os fracassados acordos de Minsk (capital da Belarus, que sediou as negociações).

Putin tem os prisioneiros para ofertar como símbolo de boa vontade. Até aqui, contudo, a manutenção do conflito em baixa intensidade no leste da Ucrânia serve a seu objetivo principal, que é o de manter o país vizinho desestabilizado o suficiente para não ter força política e buscar a integração às instituições ocidentais, promessa de Porochenko e também de Zelenski.

O temor maior de Moscou é ver Kiev na Otan, a aliança militar ocidental. O mapa explica: a Ucrânia é, com a Belarus, um grande tampão entre as forças russas e as do Ocidente. Zelenski, ainda que pró-Ocidental, nunca fez uma defesa enfática de integração militar com o bloco liderado pelos EUA.

O movimento de Zelenski veio após Putin lhe apresentar um cartão de visitas, logo após a vitória: emitiu um decreto facilitando a concessão de nacionalidade russa aos moradores do Donbass. Movimento semelhante ocorreu na Crimeia antes da anexação, oficialmente a aceitação do plebiscito separatista ocorrido na península.

Analistas duvidam, contudo, que Putin queira mais do que pressionar. O Donbass é uma região deficitária e menos homogênea, do ponto de vista étnico, do que a Crimeia. A absorção da península já custou mais de US$ 5 bilhões em investimentos ao país, além de lhe render sanções ocidentais desde então.

A ONU não reconhece a anexação, que é considerada um fato consumado internacionalmente. Tanto é assim que Zelenski não falou, ao menos segundo o Kremlin, sobre o tema com Putin.

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