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Prédio do governo em Veneza alaga logo após votação rejeitar medidas de combate à mudança climática

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Conselho Regional do Vêneto, em Veneza, foi inundado em um momento bastante peculiar: os conselheiros acabavam de rejeitar a adoção de medidas para combater os efeitos das mudanças climáticas.

A cidade, famosa por seus canais, enfrenta a pior enchente dos últimos cinquenta anos.

Os conselheiros regionais, espécie de deputados estaduais, estavam reunidos para debater o orçamento de 2020 na quarta-feira (13). 

"Ironicamente, a Câmara foi inundada dois minutos após [as legendas] a Liga, os Irmãos da Itália e a Força Itália rejeitarem nossas emendas que visavam combater as mudanças climáticas", escreveu o conselheiro Andrea Zanoni em uma rede social. 

Os partidos citados têm focado sua plataforma em ampliar a autonomia da região. 

Entre as ações que foram reprovadas estava a destinação de recursos para financiar fontes de energia renováveis, a substituição de ônibus a diesel por veículos "mais eficientes e menos poluentes" e a redução do impacto de objetos de plástico, entre outras.

O porta-voz do Conselho Regional confirmou à emissora americana CNN que o local foi inundado após um debate sobre emendas ao orçamento de 2020, mas não mencionou os temas tratados. 

Segundo Zanoni, vários boletins foram emitidos pelas autoridades alertando para o risco de enchente no Palácio Ferro Fini, sede do conselho. "Membros da Liga insistiram em prosseguir com a sessão indefinidamente, criando uma série de inconveniências", escreveu o conselheiro. Sirenes de alerta teriam soado durante a reunião. 

O presidente do Conselho Regional, Roberto Ciambetti, da Liga, rejeitou as acusações de Zanoni em um comunicado enviado à CNN. Mais cedo, ao jornal local Giornale di Vicenza, ele disse que a situação era inédita e que as divisórias usadas para conter enchentes não tinham sido capazes de suportar o aumento do nível da água. 

"O melhor a fazer era garantir a segurança de todos e permanecer dentro do palácio", afirmou Ciambetti.

Na quarta-feira, o prefeito de Veneza,  Luigi Brugnaro, declarou a cidade como uma zona de desastre depois que uma enchente inundou a basílica e deixou praças e travessas debaixo de muita água.

A maré alta, que atingiu na quarta (13) a marca recorde de 1,87 metro, é "resultado [...] das mudanças climáticas, que causam o derretimento das calotas polares e o consequente aumento do nível do mar", afirmou o conselheiro.

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