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OMS declara surto de ebola na República Democrática do Congo como emergência internacional

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou nesta quarta-feira (17) que o atual surto de ebola na República Democrática do Congo é uma "emergência de saúde pública de interesse internacional". A classificação só é utilizada para epidemias mais graves, que podem se espalhar para outros países.

Desde que o surto começou, em agosto de 2018, ao menos 2.512 pessoas foram infectados. Destas, 1.676 morreram.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que aceitou a recomendação de um comitê formado por 11 especialistas para adotar a classificação, que é instaurada poucos dias após o vírus ter chegado a uma cidade próxima à fronteira com a Ruanda.

No domingo (14), um caso de ebola foi registrado em Goma, município de cerca de 1 milhão de habitantes vizinho a Ruanda. A OMS declarou o caso "um divisor de águas", e alertou para o risco de que o vírus cruzasse a fronteira.

O paciente que levou a doença até Goma é um homem que chegou de ônibus com outros 18 passageiros e o motorista procedentes de Butembo, um dos principais focos da doença, na província de Kivu Norte. O indivíduo foi enviado de volta a Butembo para tratamento.

Apesar dos riscos, uma vasta campanha de vigilância e vacinação, com quase 75 milhões de exames realizados, tem mantido o vírus altamente infeccioso quase inteiramente confinado em duas províncias do nordeste da República Democrática do Congo.

Este é o segundo maior surto de ebola da história; o mais grave acometeu a África Ocidental (Guiné, Libéria, Serra Leoa) em 2014 e 2015, quando morreram 11,3 mil pessoas das mais de 28 mil infectadas.

Os especialistas expressaram ainda decepção com o atraso na ajuda econômica para o combate ao ebola. A OMS disse que recebeu até agora US$ 49 milhões de doadores internacionais, entre fevereiro e julho, apenas metade da verba que precisa.

Profissionais que visitaram a região afirmam que suprimentos estão acabando, a exemplo da roupa protetora que os funcionários vestem para não serem infectados. Um representante da ONU disse que luvas e seringas estão sendo reutilizadas por medo de escassez.

“Os sinais são claros: as pessoas ainda estão morrendo nas comunidades, profissionais de saúde ainda estão sendo infectados, e as transmissões ainda estão acontecendo. A epidemia não está sob controle e precisamos de uma mudança de rumo: mas isso não deveria significar restrições de movimento ou o uso da coerção na população afetada", disse Joanne Liu, presidente internacional da organização Médicos Sem Fronteiras.​

Um representante da OMS, Robert Steffen, minimizou a declaração de emergência dizendo que o risco permanece regional, e não global, e acrescentou que nenhum país deveria reagir fechando as fronteiras ou restringindo o comércio.

Os vizinhos Ruanda, Sudão do Sul, Burundi, Uganda são os que correm maior risco, seguidos por Angola, Tanzânia, República Centro-Africana, Congo e Zâmbia.

Esta é a quinta vez que a OMS declara emergência internacional, uma classificação instaurada em 2005. Os episódios anteriores foram a gripe H1N1 (2009), a propagação do vírus da pólio (2014), o vírus da zika (2016) e a epidemia anterior de ebola. ​

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