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Embaixador boliviano diz que saída de Evo Morales é 'golpe da extrema-direita'

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O embaixador da Bolívia no Brasil, José Kinn Franco, afirmou nesta terça-feira, 12, que a saída de Evo Morales da Presidência da Bolívia foi um "golpe" "organizado, programado e estruturado" pela extrema-direita boliviana. Franco afirmou ainda que, até o momento, o chanceler Ernesto Araújo não o convidou para discutir a situação do país após a renúncia do Morales.

"Quero aproveitar também para fazer a denúncia desse golpe que foi construído já antes das eleições, foi organizado e programado e estruturado finalmente pela extrema-direita de nosso país. É uma direita muito conservadora, violenta, racista e que está agora fazendo perseguição das lideranças de nosso partido e perseguição dos deputados, senadores do oficialismo", afirmou o embaixador no Salão Verde da Câmara após uma reunião com líderes da oposição.

Nesta terça-feira, o ex-presidente da Bolívia chegou ao aeroporto da Cidade do México depois de aceitar a oferta de asilo político feita pelo mandatário mexicano, Andrés Manuel López Obrador. Ele foi recebido pelo chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, ao desembarcar de um avião da Força Aérea do México.

Em seu primeiro pronunciamento em solo mexicano, Morales disse que "a luta continua", e que somente haverá paz em seu país quando houver "justiça social". "Graças ao México, a suas autoridades, mas também quero dizer que, enquanto eu tiver vida, continuarei na política; enquanto eu estiver no trem da vida, a luta continua. E temos certeza de que os povos têm todo o direito de libertar-se", disse.

O governo brasileiro acompanha o desenrolar da crise boliviana que pode trazer impactos indiretos ao País. O presidente Jair Bolsonaro ironizou a decisão de Evo Morales de deixar o país andino e se exilar no México: "Lá a esquerda tomou conta de novo. Tenho um bom país para ele: Cuba", afirmou o presidente.

No domingo, o presidente brasileiro já tinha escrito "grande dia" seguido de uma imagem de sinal de "joinha" pouco depois do anúncio de renúncia de Morales, que deixou o cargo por pressão do Exército. O vice-presidente boliviano e os chefes das duas casas legislativas renunciaram também, deixando a sucessão presidencial em um limbo.

De acordo com o embaixador boliviano, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, até o momento, não o convidou para debater a decisão de Morales e que segue no cargo até um novo governo ser formado.

"Estamos esperando para ver como vão terminar os acontecimentos na Bolívia para então fazer uma relação com o governo brasileiro, na luz dos resultados finais desses acontecimentos", afirmou.

Asilo

Evo Morales renunciou ao cargo em meio à crise gerada pelas denúncias de fraude nas eleições presidenciais de outubro. A disputa deu um quarto mandato consecutivo ao líder boliviano, mas a eleição foi colocada em xeque. O pleito foi auditado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) que indicou a necessidade de novas eleições.

Morales tentou convocar uma nova eleição para diminuir a tensão, mas uma cobrança pública do chefe das Forças Armadas da Bolívia levou o presidente à renúncia e ao asilo no México.

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