Siga o Portal do Holanda

Emergência

Com apoio do Brasil, Colômbia pede à OEA reunião urgente sobre Bolívia

Publicado

em

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo da Colômbia pediu a realização de uma reunião de emergência do Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos) devido à situação de caos institucional na Bolívia.

Além de Evo Morales, também renunciaram o vice-presidente, Álvaro García Linera, o presidente da Câmara, Victor Borda, e a presidente do Senado, Adriana Salvatierra. Assim, a Bolívia caiu num vácuo de poder, e a sucessão presidencial está num limbo.

O objetivo da reunião, de acordo com uma fonte do Planalto, é o estabelecimento imediato de condições para eleições limpas e transparentes, com monitoramento da OEA.

A iniciativa teve apoio do Brasil, que chegou a avaliar a convocação da reunião na OEA. O Planalto, no entanto, preferiu apenas endossá-la, para não alimentar as teorias que estão viralizando na Bolívia, de que o presidente Jair Bolsonaro e a igreja evangélica teriam apoiado um golpe de Estado no país.

Embora Evo tenha afirmado que renunciou à Presidência diante de um “golpe cívico, político, policial”, o governo brasileiro não compra a tese do golpe e sustenta que a renúncia resultou da pressão da população e que o Exército apenas se negou a cumprir a ordem de agir contra o povo.

Bolsonaro afirmou ao jornal O Globo que “a palavra golpe é usada muito quando a esquerda perde”. No Twitter, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi na mesma direção do presidente e publicou mensagem na qual afirma que “não há nenhum golpe na Bolívia”.

Segundo Ernesto, a tentativa “de fraude eleitoral maciça deslegitimou Evo Morales, que teve a atitude correta de renunciar diante do clamor popular”. “O Brasil apoiará transição democrática e constitucional. Narrativa de golpe só serve para incitar violência.”

Da mesma maneira, segundo fonte do Planalto, o Brasil se negou a liberar a venda de armamentos não letais requisitados por Evo recentemente.

O governo não teria autorizado a venda de US$ 5 milhões, por meio de uma empresa brasileira, em armamentos não letais, como bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, pois, segundo o governo, o equipamento seria usado para “reprimir o próprio povo boliviano”. Por isso, Evo não merecia a cooperação do Brasil.

Mais cedo, o Itamaraty divulgou uma nota sobre a análise de Integridade Eleitoral feita pela OEA, que detectou fraudes no pleito. “O Brasil considera pertinente a convocação de novas eleições gerais em resposta às legítimas manifestações do povo e às recomendações da OEA, após a constatação das graves irregularidades.”

O governo brasileiro adotou posições de cautela, e aguarda para ver como o Tribunal Constitucional boliviano irá se pronunciar a respeito da sucessão, e como as forças políticas domésticas se posicionarão.

Evo fazia parte do grupo de políticos de esquerda na América Latina combatido por Bolsonaro. Mesmo assim, chegou a ser elogiado pelo presidente brasileiro no início do ano, quando Evo foi a Brasília para comparecer à posse.

Mas o líder boliviano se tornou um aliado de fato após a prisão em Santa Cruz de la Sierra do italiano Cesare Battisti, cuja extradição era pedida pela Itália devido ao envolvimento dele na luta armada de extrema esquerda.

Preso no Brasil em 2007 e com status de refugiado desde então, Battisti tinha sua permanência no país defendida pelos governos petistas. Em 2017, portanto após o impeachment de Dilma Rousseff, porém, o italiano viu Michel Temer autorizar sua extradição, o que o fez fugir para a Bolívia.

Logo após o imbróglio eleitoral na Bolívia, Bolsonaro disse que não pretendia ter problema algum com Evo. “Ele está de bem comigo e não pretendo ter nenhum problema com ele. Eles querem, inclusive, ampliar a venda de gás para nós”, disse.

A relação começou a mudar durante a crise das queimadas na Amazônia, na qual Bolsonaro disse que era na Bolívia, e não no Brasil, onde ocorriam os maiores incêndios florestais.

Na noite deste domingo (10), Bolsonaro ironizou a renúncia de Evo e voltou a usar a expressão “grande dia”, seguida de um sinal de joinha, algo que utilizou pela primeira vez ao celebrar o anúncio do ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) de que deixaria o país após receber ameaças, em janeiro.

A postagem deste domingo foi acompanhada de uma foto de Bolsonaro com a faixa presidencial, durante a posse.

'DÓI MUITO'

Evo Morales renunciou à Presidência da Bolívia em pronunciamento na televisão às 18h (horário de Brasília), da cidade de Cochabamba, após pressão das Forças Armadas e protestos intensos nas grandes cidades do país.

"Me dói muito que nos tenham levado ao enfrentamento. Enviei minha renúncia para a Assembleia Legislativa Plurinacional", afirmou.

Ele havia anunciado a convocação de novas eleições na manhã do domingo, depois que o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, pediu a anulação das eleições na Bolívia, após auditoria realizada na apuração dos votos.

A tensão na Bolívia vem escalando nas últimas semanas por conta de enfrentamentos entre apoiadores e críticos de Morales, que o acusam de fraude. Nos dias mais recentes, houve levantes de policiais e militares que se recusaram a tomar ações de repressão contra opositores, enquanto Morales acusava uma "tentativa de golpe de Estado".

A Bolívia vive um agravamento da tensão nas ruas por conta dos resultados contraditórios divulgados após as eleições do último dia 20 de outubro, que conferia um quarto mandato a Evo.

O órgão eleitoral iniciou uma contagem rápida, que dava um resultado de segundo turno até os 80% das atas apuradas. Três horas depois, porém, essa contagem foi interrompida por 24 horas, enquanto se acelerou a contagem "voto a voto".

Quando por fim foram anunciados os resultados, Morales estava na frente por pouco mais de dez pontos percentuais de vantagem, o que o levaria a conquistar seu quarto mandato já num primeiro turno.

PF investiga denúncia de fraudes em documentos envolvendo funcionários do governo do Amazonas

Para compartilhar este conteúdo, utilize o link ou as ferramentas oferecidas na página. Textos, fotos, artes e vídeos do Portal do Holanda estão protegidos pela legislação brasileira sobre direito autoral.

Copyright © 2006-2019 Portal do Holanda.