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Após protestos, Hong Kong adia debate sobre lei de extradição

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após milhares de manifestantes saírem às ruas em Hong Kong para protestar contra um projeto de lei que autoriza extradições para a China continental, o Parlamento local anunciou que adiou para "uma data posterior" o debate que estava marcado para esta quarta-feira (12).

Confrontos violentos foram registrados quando a polícia tentou impedir que os manifestantes, reunidos pacificamente, entrassem no prédio do Legislativo -que tem maioria pró-Pequim.

As forças de segurança dispararam balas de borracha e gás lacrimogêneo, e quem protestava arremessou de volta garrafas plásticas.

Os manifestantes "devem parar a violência", disse o chefe da polícia, Stephen Lo, alertando os moradores para se afastarem da "situação tumultuosa".

A maioria das pessoas que protestava era jovens vestidos de preto. Eles se reuniram em torno da Lung Wo Road, uma importante via próxima aos escritórios da chefe executiva de Hong Kong (espécie de prefeita), Carrie Lam.

No domingo (9), a ex-colônia britânica foi palco do maior protesto ocorrido desde sua transferência para a China, em 1997. De acordo com os organizadores, mais de um milhão de pessoas foram às ruas -a polícia contou 240 mil.

Na segunda (10), o Parlamento disse que seguiria adiante com a projeto de lei, e que ele não havia sido imposto por Pequim.

Mais cedo, na terça (11), dezenas de empresas e estabelecimentos comerciais de Hong Kong anunciaram sua intenção --incomum na ex-colônia britânica-- de fechar as portas na quarta para protestar contra a proposta.

O texto também foi alvo de críticas de países ocidentais, que temem julgamentos politizados na China.

Mais de cem empresas e comerciantes se mobilizaram nas redes sociais, sob a hashtag que pode ser traduzida como "greve1206", para anunciar que fechariam as portas para que seus funcionários pudessem protestar. Professores, enfermeiros e assistentes sociais também apoiam a suspensão de atividades.

Pelo acordo de 1984 entre Londres e Pequim, que selou a volta de Hong Kong para domínio chinês em 1997, a região passou a desfrutar de semiautonomia e liberdades que não existem na China continental.

A ex-colônia britânica tem sido, no entanto, palco de agitação política na última década, devido à preocupação com a crescente interferência de Pequim e com a sensação de que o princípio "um país, dois sistemas" é desrespeitado.

Lam protestou contra as greves: "Peço às escolas, pais, empresas e sindicatos, que, antes de convocarem esses atos radicais, se perguntem sobre o bem que podem fazer à sociedade e aos jovens."

Se adotada, a lei autorizaria extradições para todas as jurisdições com as quais não exista acordo bilateral, incluindo a China continental.

O texto, segundo as autoridades, deve preencher um vácuo legal e fazer com que o território deixe de ser um refúgio para criminosos. Os defensores da proposta garantem que haverá salvaguardas de direitos humanos e que a China não terá adversários políticos como alvos.

Porém, muitos moradores de Hong Kong desconfiam das intenções do governo chinês.

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