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Ânimos seguem acirrados na Bolívia mesmo com presidente interina

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A proclamação da senadora de oposição Jeanine Áñez como presidente interina da Bolívia e a ida do ex-presidente Evo Morales para o México não foram suficientes para acalmar os ânimos em La Paz.

Na madrugada desta quarta-feira, 13, o medo ainda tomava as ruas da cidade. En El Alto, reduto de apoiadores de Evo, o bloqueio que já dura três dias à saída do aeroporto, o principal do país, foi mantido. Havia dezenas de barricadas, fogueiras ou cordões impedindo o trânsito de veículos. Pedras e pedaços de pau usados em confrontos com as forças de segurança continuavam espalhados pelas vias.

Poucos táxis circulavam pela região. Dezenas de pessoas preferiram dormir no chão do aeroporto a enfrentar o risco de passar pelos bloqueios. Os que se atrevem, são obrigados a desviar por ruas secundárias e vielas em trajetos que levam o dobro do tempo normal.

Já nas proximidades da região central da capital boliviana, as barricadas são organizadas por moradores e comerciantes que tiveram suas casas e estabelecimentos invadidos e saqueados por vândalos e se revezam em vigílias em torno de fogueiras armados com barras de ferro e tacos de beisebol. Nestes pontos é possível negociar a passagem. Em alguns bloqueios, os organizadores pedem para revistar os carros.

"É que tem gente se aproveitando para trazer coquetéis molotov e outros explosivos", disse um homem encapuzado que não quis se identificar.

Aumento no preço dos alimentos

A dificuldade de transporte faz com que os preços de alguns alimentos tenha aumentado. Apesar da promessa de produtores de manter o abastecimento nas principais cidades, alguns itens básicos estão em falta. Há a desconfiança de que distribuidores e comerciantes tenham escondido produtos para lucrar com a crise.

"Tem gente inescrupulosa escondendo alimentos. Isso aumenta o risco de saques e prejudica os comerciantes honestos", afirmou o homem encapuzado.

Segurança

Embora as Forças Armadas e a Polícia tenham anunciado na segunda-feira a realização de ações conjuntas para garantir a segurança da população, durante a madrugada quase não se via policiais nas ruas.

Na zona sul de La Paz, onde ficam os bairros ricos, hotéis sofisticados funcionam com as portas fechadas e as luzes apagadas para não chamar a atenção. Os hóspedes têm que entrar por portas laterais e são orientados a não ficar nas ruas.

Diante das ameaças de uma invasão a qualquer momento de apoiadores de Evo contrários à proclamação de Jeanine, alguns hotéis colocaram tapumes de madeira na entrada. Líderes das manifestações que levaram à renúncia do presidente deixaram os hotéis e foram se refugiar em casas particulares, mais discretas.

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