Governar não é conquistar uma cadeira, é assumir a responsabilidade de transformar vidas.
O poder passa, os mandatos terminam, mas as consequências das decisões ficam na vida de milhões de brasileiros. Por isso, governar não pode ser apenas ocupar gabinetes, discursar em palanques ou alimentar disputas políticas. Governar é ouvir quem sente fome, enxergar quem vive sem oportunidades e trabalhar por quem espera há anos por saúde, educação, segurança e dignidade.
O Brasil precisa de menos vaidade política e mais compromisso com a população. Precisa de gestores que compreendam que o dinheiro público não pertence a quem governa, mas a quem trabalha, paga impostos e espera o retorno desse esforço em serviços de qualidade.
E o Amazonas? Nosso estado não pode continuar sendo lembrado apenas quando o assunto é floresta, riquezas naturais ou discursos sobre a Amazônia. Aqui vivem brasileiros que precisam de hospitais funcionando, escolas preparadas, segurança pública, emprego, infraestrutura e oportunidades para os jovens. Nos municípios do interior, os desafios são ainda maiores, porque distância não pode significar abandono, e o isolamento geográfico não pode servir de desculpa permanente.
A relação entre o Governo Federal e o Governo do Amazonas precisa ser de diálogo, cooperação e responsabilidade. Independentemente das diferenças políticas, Brasília e Manaus devem sentar à mesma mesa para buscar soluções concretas para os problemas da população. A floresta precisa ser preservada, sim, mas as pessoas que vivem nela também precisam de respeito, renda e perspectivas de futuro.
E fica uma reflexão para todos os governantes: não basta ter poder para decidir; é preciso ter compromisso para fazer acontecer. O cidadão não quer viver de promessas, inaugurações e fotografias oficiais. Quer perceber, na vida real, que as coisas estão melhorando.
A população também tem seu papel: acompanhar, cobrar, fiscalizar e não confundir lealdade política com silêncio diante dos problemas. Democracia não termina nas urnas. É justamente depois delas que começa a responsabilidade de quem recebeu a confiança popular.
No fim das contas, a história não registra apenas quem chegou ao poder. Registra o que essa pessoa fez com ele.
Porque cargo é temporário, mandato tem prazo e discurso o vento leva. Mas uma escola que funciona, um hospital que atende, uma família que conquista dignidade e um jovem que encontra oportunidades deixam marcas que o tempo não apaga.
O poder tem que servir para alguma coisa. E, se não estiver servindo para melhorar a vida do povo, está na hora de perguntar: a quem ele está servindo?
Porque governar é assumir responsabilidades, e cidadania também é saber cobrar.
Silvia Simões
Cirurgiã Dentista universidade Federal do Amazonas- Especialista em Odontologia – Saúde Pública – Universidade Federal do Amazonas- Especialista MBA em Administração Hospitalar e Gestão de Serviços de Saúde – Universidade Nilton Lins- Especialista MBA em Gestão de Cooperativas – Faculdades Integradas de Taquara-Mestra em Clínicas Odontológicas – Centro de Ensino e Pesquisa de Pós-Graduação do Norte – Professora Universitária- Coordenadora do Curso de Odontologia Hospitalar- Membro da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA)-Ex- Diretora Administrativa do sicoob [email protected]
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