Por Will Dunham
WASHINGTON, 7 Out (Reuters) - A Nasa divulgou uma imagem impressionante do amanhecer na superfície marciana, captada pela sonda Curiosity, mostrando a luz do Sol banhando penhascos irregulares formados há bilhões de anos, enquanto o veículo do tamanho de um carro continua a explorar o vizinho planetário da Terra.
A Curiosity pousou em 2012 na Cratera Gale, perto do equador marciano, e, desde 2014, vem escalando o Monte Sharp, uma montanha de 5km de altura que se ergue do fundo da cratera. A imagem foi capturada pela câmera Mastcam da sonda de seis rodas cerca de uma hora após o Sol nascer sobre uma paisagem com penhascos esculpidos pelo vento ao longe.
“Os picos escarpados e brilhantes à distância são uma camada rochosa cuja aparência é bem diferente de todas as camadas pelas quais a sonda já passou até agora. Acreditamos que, em algum momento, tenha sido um sedimento transportado pelo vento — talvez areia ou até mesmo cinzas — que foi levado para dentro da cratera a partir de atividades vulcânicas nas proximidades. Depois que o sedimento se solidificou, transformando-se em rocha, eras de vento esculpiram a camada rochosa, formando cristas chamadas yardangs”, disse o cientista planetário Ashwin Vasavada, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, na Califórnia, e cientista do projeto Curiosity.
A camada de yardang provavelmente se formou há cerca de 3 bilhões de anos, mais ou menos na mesma época que o restante da montanha, segundo Vasavada. Essa camada se estende por cerca de 16km na região noroeste do Monte Sharp.
“No entanto, a camada de yardang não parece fazer parte da pilha contínua de camadas que compõem o ‘bolo de camadas’ do Monte Sharp. Ela foi adicionada um pouco mais tarde. Está acima do que os geólogos chamam de discordância: uma lacuna no tempo em que as camadas anteriores sofreram erosão antes que novas camadas fossem depositadas sobre elas”, disse Vasavada.
A sonda, em sua subida gradual pela montanha, já ganhou mais de 1km de altitude — a maior elevação já alcançada em Marte, segundo a Nasa.
O Monte Sharp é formado por camadas, cada uma registrando um período do passado geológico do planeta. Ao estudar essas camadas, os cientistas aprenderam mais sobre corpos d’água — lagos e riachos — que, há muito tempo, cobriam essa região, numa época em que Marte era mais úmido e quente do que o lugar frio e desolado que é hoje.
Vasavada disse que a Nasa espera que a Curiosity alcance a camada de yardang em 2027 ou 2028, quando então utilizará seus instrumentos para examinar minuciosamente a geologia do local.
A Curiosity vem estudando a geologia e o clima de Marte e investigando se o planeta já apresentou condições propícias à existência de vida microbiana. Ela é uma das duas sondas da Nasa em operação em Marte. A sonda Perseverance está atualmente percorrendo as margens da cratera Jezero, no hemisfério norte.
A nova imagem da Curiosity do amanhecer marciano é certamente de outro mundo.
“Essa cena tem uma natureza selvagem que me lembra uma viagem de carro pelo Monument Valley, no Arizona. Dá quase para sentir o silêncio e o espaço aberto infinito sob o céu. Mas, por mais familiar que isso pareça, o céu é alaranjado e o nascer do Sol tem tons de azul. É como a Terra, mas é definitivamente Marte”, disse Vasavada.
(Reportagem de Will Dunham)
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