Chega de transformar política em torcida organizada.
Chega de acreditar que todo candidato que grita mais alto é o mais preparado. Chega de transformar adversário político em inimigo. Chega de escolher alguém simplesmente porque ele pertence à direita, à esquerda ou porque alguém mandou votar nele.
Domingo não é dia de torcida. É dia de consciência.
É o dia em que cada cidadão coloca a mão na própria responsabilidade e decide quem receberá um mandato para representá-lo.
E aqui vai uma pergunta que deveria ser feita antes de qualquer voto:
Você sabe exatamente o que o candidato que está pedindo seu voto terá obrigação de fazer?
Você sabe qual é a função de um governador?
Sabe qual é o papel de um senador?
Sabe o que compete a um deputado federal?
E a um deputado estadual?
Se não sabe, está na hora de pesquisar.
Porque estamos assistindo a uma campanha em que alguns discursos parecem transformar candidatos em mágicos, salvadores da pátria e solucionadores de todos os problemas.
Calma!
Nenhum político é dono da verdade. Nenhum mandato é cheque em branco. E nenhum candidato deveria ser tratado como salvador.
Governador tem atribuições. Senador tem atribuições. Deputado federal tem atribuições. Deputado estadual tem atribuições.
E o cidadão precisa conhecer essas responsabilidades para poder cobrar depois.
Tenho conversado com amigos de diferentes pensamentos. E uma coisa me chama atenção: estamos ficando excessivamente divididos entre “nós” e “eles”.
Direita contra esquerda.
Um lado contra o outro.
Como se o brasileiro precisasse escolher um inimigo antes de escolher um representante.
Eu não penso assim.
Eu prefiro conhecer a trajetória.
Quem é essa pessoa?
O que ela fez antes de pedir o meu voto?
Quais cargos ocupou?
Qual foi sua atuação?
Quais propostas apresenta?
O que está dentro das atribuições do cargo que pretende ocupar?
Isso vale para todos.
Não importa se o candidato é de direita, esquerda ou centro.
Não importa se ele tem milhares de seguidores.
Não importa se aparece todos os dias nas redes sociais.
O que importa é que o eleitor saiba quem está escolhendo.
Eu tenho procurado fazer essa reflexão também na minha coluna no Portal do Holanda, apresentando informações sobre a trajetória dos candidatos ao Governo do Amazonas.
Não estou aqui para dizer ao eleitor em quem votar.
Estou dizendo uma coisa muito simples:
Pesquise.
Abra o Google.
Digite o nome do candidato.
Leia.
Conheça.
Procure informações sobre sua vida pública e sua trajetória.
Depois, faça a sua escolha.
Não permita que um vídeo de poucos segundos decida por você.
Não permita que um discurso inflamado decida por você.
Não permita que um amigo, um grupo de WhatsApp ou uma multidão decida por você.
O voto é seu.
E se o voto é seu, a responsabilidade também é sua.
Outra coisa me preocupa: o uso da fé nos discursos políticos.
Eu respeito profundamente a fé das pessoas. Respeito quem acredita em Deus e manifesta sua religiosidade.
Mas precisamos ter discernimento.
Deus não pode ser usado para substituir proposta, planejamento, competência administrativa ou compromisso público.
Deus não vota. Nós votamos.
E quem vota precisa pensar.
Precisamos pensar especialmente naquele cidadão que está esperando atendimento médico.
Naquela mãe que precisa de uma escola de qualidade para o filho.
Naquele idoso que precisa de respeito.
Naquele trabalhador que procura emprego.
Naquele cidadão que depende do SUS.
O SUS é uma das maiores conquistas sociais brasileiras. Mas sabemos que ainda existem filas, dificuldades e pessoas que muitas vezes precisam recorrer a um conhecido médico, enfermeiro ou assistente social para conseguir ajuda.
Eu não gostaria que fosse assim.
E não deveria ser assim.
Precisamos discutir políticas públicas que funcionem para quem mais precisa.
E precisamos falar também de educação.
Eu sou escritor e conheço a realidade de quem produz literatura no Brasil.
Para escrever meus livros, eu trabalho.
Para publicar, divulgar e realizar projetos, eu trabalho.
Muitas vezes, o apoio vem dos amigos.
E é justamente por isso que faço uma pergunta:
Quanto estamos realmente investindo em literatura, arte, cultura e educação?
Fala-se em milhões.
Fala-se em bilhões.
Mas quanto chega ao professor?
Quanto chega à escola?
Quanto chega ao projeto cultural?
Quanto chega ao escritor?
Quanto chega ao jovem que precisa descobrir que existe um caminho diferente daquele oferecido pela violência e pela falta de oportunidades?
Educação não é despesa. Educação é construção de futuro.
Salve, salve os professores.
Salve, salve os educadores.
Salve os escritores, artistas, pesquisadores e pensadores que continuam trabalhando mesmo quando os holofotes da política estão apagados.
Eu não quero uma política de ódio.
Não quero violência.
Não quero brasileiros contra brasileiros.
Sou um homem da paz.
Acredito que podemos discordar sem nos destruir.
Podemos pensar diferente sem deixar de respeitar o outro.
Isso também é democracia.
E talvez esta seja a minha principal reflexão para este domingo:
não entregue seu voto à emoção de cinco minutos.
Entregue-o depois de conhecer.
Conheça a história.
Conheça a trajetória.
Conheça as responsabilidades do cargo.
Conheça as propostas.
E então escolha.
Porque depois da eleição, a campanha acaba.
O palanque desmonta.
A propaganda desaparece.
Os discursos diminuem.
Mas o cidadão continua precisando de saúde, educação, segurança, trabalho, cultura e dignidade.
E o político eleito terá que cumprir as responsabilidades do cargo para o qual foi escolhido.
Mandato não é prêmio. É responsabilidade.
Cargo público não é propriedade particular. É serviço à sociedade.
E o eleitor não é figurante.
O eleitor é quem decide.
Por isso, neste domingo, antes de apertar o botão da urna, faça uma pergunta a si mesmo:
“Eu conheço realmente a pessoa em quem estou colocando o meu voto?”
Se a resposta for não, pesquise.
Ainda dá tempo.
Porque política não deveria ser uma guerra.
Política deveria ser serviço.
E voto não deveria ser paixão.
Voto deveria ser consciência.
Rômulo Sena
Escritor Brasileiro • Autor de Vários Livros • Jornalista • Professor • Poeta • Apresentador de TV • Palestrante Fundador da Escola Arte e Cultura Amazonas – Brasil
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