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Rômulo Sena

Quando o poder vira objetivo, o povo vira apenas voto

Rômulo Sena
Por Rômulo Sena
05/09/2026 13h24 — em Rômulo Sena

A política voltou a ocupar o centro das atenções. Nos bastidores, nomes são lançados, grupos se movimentam, alianças são costuradas e candidatos começam a percorrer caminhos em busca de uma vitória nas urnas.

Todos querem ganhar.

Mas poucos fazem a pergunta mais importante:

Ganhar para quê?

É para transformar a realidade do povo? É para construir um Estado mais justo, eficiente e desenvolvido? Ou é simplesmente para conquistar poder?

Essa pergunta precisa ser feita antes do voto.

Porque existe uma diferença enorme entre querer o poder e querer servir através do poder.

O poder seduz. O cargo proporciona visibilidade. A autoridade abre portas. A política oferece influência.

Mas tudo isso é passageiro.

O mandato termina. O gabinete muda de dono. O poder passa. O povo permanece.

E é justamente aí que está o verdadeiro teste de um homem público.

Quem pede o voto precisa estar preparado para receber também a cobrança.

Quem promete precisa estar preparado para cumprir.

Quem deseja governar precisa estar preparado para ouvir.

E quem quer representar o povo precisa lembrar que não está acima dele.

O POVO NÃO É ESCADA

Existe um perigo quando a política se transforma em uma corrida desenfreada pelo poder: o cidadão passa a ser visto apenas como número, estatística eleitoral ou voto.

Durante a campanha, todos são importantes.

Depois da eleição, muitos são esquecidos.

Não pode ser assim.

O povo não pode ser escada para ninguém chegar ao poder.

O voto não pode ser tratado como mercadoria.

A esperança do cidadão não pode ser utilizada apenas como instrumento de campanha.

Quem recebe o voto recebe uma responsabilidade.

E responsabilidade exige trabalho.

A ELEIÇÃO REVELA INTENÇÕES

Uma eleição não revela apenas quem tem mais votos. Ela também revela muito sobre aqueles que disputam o poder.

Revela quem tem projeto.

Quem tem preparo.

Quem tem equilíbrio.

Quem sabe dialogar.

Quem respeita as diferenças.

E, principalmente, quem compreende que política não é propriedade particular.

O verdadeiro líder não precisa destruir o adversário para provar que é forte.

Não precisa transformar a política em guerra.

Não precisa alimentar o ódio.

Precisa apresentar propostas e convencer o cidadão de que é capaz de servir.

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA DISPUTA?

Esta talvez seja a pergunta que mais deveria incomodar o eleitor.

O que existe por trás de cada candidatura?

Um projeto de sociedade?

Um compromisso com as próximas gerações?

Uma vontade verdadeira de melhorar a vida das pessoas?

Ou apenas o desejo de ocupar uma cadeira?

Não cabe ao eleitor escolher apenas quem fala melhor.

Cabe escolher quem demonstra condições de fazer melhor.

O PODER COMO MISSÃO

A política pode ser uma das maiores ferramentas de transformação de uma sociedade.

Mas, para isso, o poder precisa ser compreendido como missão, e não como privilégio.

Governar é servir.

Legislar é servir.

Representar é servir.

Administrar recursos públicos é servir.

E servir significa colocar o interesse coletivo acima da vaidade pessoal.

Talvez o Brasil não precise apenas de novos candidatos.

Precise de uma nova consciência política.

Uma consciência que compreenda que o povo não existe para servir aos políticos.

Os políticos é que devem existir para servir ao povo.

O VERDADEIRO JULGAMENTO

As urnas dão a primeira resposta.

A história dará a resposta definitiva.

O candidato pode vencer uma eleição.

Pode ocupar um cargo.

Pode receber homenagens.

Pode conquistar poder.

Mas, depois de alguns anos, restará uma pergunta:

O que ele fez pelo povo?

Essa é a pergunta que nenhum discurso conseguirá esconder para sempre.

«“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.” — Provérbios 16:18»

Que os candidatos disputem.

Que apresentem suas ideias.

Que busquem a vitória.

Mas que nunca se esqueçam de uma verdade fundamental:

O POVO NÃO ENTREGA O PODER PARA SER DOMINADO. ENTREGA O PODER PARA SER REPRESENTADO.

E talvez a pergunta mais importante desta eleição seja justamente esta:

QUEM QUER O PODER — E QUEM REALMENTE QUER SERVIR?

Rômulo Sena

Rômulo Sena

Escritor Brasileiro • Autor de Vários Livros • Jornalista • Professor • Poeta • Apresentador de TV • Palestrante Fundador da Escola Arte e Cultura Amazonas – Brasil

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