A política voltou a ocupar o centro das atenções. Nos bastidores, nomes são lançados, grupos se movimentam, alianças são costuradas e candidatos começam a percorrer caminhos em busca de uma vitória nas urnas.
Todos querem ganhar.
Mas poucos fazem a pergunta mais importante:
Ganhar para quê?
É para transformar a realidade do povo? É para construir um Estado mais justo, eficiente e desenvolvido? Ou é simplesmente para conquistar poder?
Essa pergunta precisa ser feita antes do voto.
Porque existe uma diferença enorme entre querer o poder e querer servir através do poder.
O poder seduz. O cargo proporciona visibilidade. A autoridade abre portas. A política oferece influência.
Mas tudo isso é passageiro.
O mandato termina. O gabinete muda de dono. O poder passa. O povo permanece.
E é justamente aí que está o verdadeiro teste de um homem público.
Quem pede o voto precisa estar preparado para receber também a cobrança.
Quem promete precisa estar preparado para cumprir.
Quem deseja governar precisa estar preparado para ouvir.
E quem quer representar o povo precisa lembrar que não está acima dele.
O POVO NÃO É ESCADA
Existe um perigo quando a política se transforma em uma corrida desenfreada pelo poder: o cidadão passa a ser visto apenas como número, estatística eleitoral ou voto.
Durante a campanha, todos são importantes.
Depois da eleição, muitos são esquecidos.
Não pode ser assim.
O povo não pode ser escada para ninguém chegar ao poder.
O voto não pode ser tratado como mercadoria.
A esperança do cidadão não pode ser utilizada apenas como instrumento de campanha.
Quem recebe o voto recebe uma responsabilidade.
E responsabilidade exige trabalho.
A ELEIÇÃO REVELA INTENÇÕES
Uma eleição não revela apenas quem tem mais votos. Ela também revela muito sobre aqueles que disputam o poder.
Revela quem tem projeto.
Quem tem preparo.
Quem tem equilíbrio.
Quem sabe dialogar.
Quem respeita as diferenças.
E, principalmente, quem compreende que política não é propriedade particular.
O verdadeiro líder não precisa destruir o adversário para provar que é forte.
Não precisa transformar a política em guerra.
Não precisa alimentar o ódio.
Precisa apresentar propostas e convencer o cidadão de que é capaz de servir.
O QUE ESTÁ POR TRÁS DA DISPUTA?
Esta talvez seja a pergunta que mais deveria incomodar o eleitor.
O que existe por trás de cada candidatura?
Um projeto de sociedade?
Um compromisso com as próximas gerações?
Uma vontade verdadeira de melhorar a vida das pessoas?
Ou apenas o desejo de ocupar uma cadeira?
Não cabe ao eleitor escolher apenas quem fala melhor.
Cabe escolher quem demonstra condições de fazer melhor.
O PODER COMO MISSÃO
A política pode ser uma das maiores ferramentas de transformação de uma sociedade.
Mas, para isso, o poder precisa ser compreendido como missão, e não como privilégio.
Governar é servir.
Legislar é servir.
Representar é servir.
Administrar recursos públicos é servir.
E servir significa colocar o interesse coletivo acima da vaidade pessoal.
Talvez o Brasil não precise apenas de novos candidatos.
Precise de uma nova consciência política.
Uma consciência que compreenda que o povo não existe para servir aos políticos.
Os políticos é que devem existir para servir ao povo.
O VERDADEIRO JULGAMENTO
As urnas dão a primeira resposta.
A história dará a resposta definitiva.
O candidato pode vencer uma eleição.
Pode ocupar um cargo.
Pode receber homenagens.
Pode conquistar poder.
Mas, depois de alguns anos, restará uma pergunta:
O que ele fez pelo povo?
Essa é a pergunta que nenhum discurso conseguirá esconder para sempre.
«“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.” — Provérbios 16:18»
Que os candidatos disputem.
Que apresentem suas ideias.
Que busquem a vitória.
Mas que nunca se esqueçam de uma verdade fundamental:
O POVO NÃO ENTREGA O PODER PARA SER DOMINADO. ENTREGA O PODER PARA SER REPRESENTADO.
E talvez a pergunta mais importante desta eleição seja justamente esta:
QUEM QUER O PODER — E QUEM REALMENTE QUER SERVIR?
Rômulo Sena
Escritor Brasileiro • Autor de Vários Livros • Jornalista • Professor • Poeta • Apresentador de TV • Palestrante Fundador da Escola Arte e Cultura Amazonas – Brasil
Os artigos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados nesta coluna não refletem necessariamente o pensamento do Portal do Holanda, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.



Aviso