Dados do Banco Mundial mostram que o Brasil obteve 77,4% de sua eletricidade a partir de fontes renováveis em 2021, ano mais recente com informação consolidada disponível na base da instituição. A proporção brasileira supera com folga a média mundial, de 27,8% no mesmo ano, e fica muito acima da registrada nos Estados Unidos (20,3%) e na China (28,4%), as duas maiores economias do planeta. O indicador considera o total de eletricidade gerada por fontes como hidrelétricas, eólica, solar, biomassa e geotérmica em relação ao total produzido no país.
A diferença se explica em boa parte pela matriz elétrica brasileira, historicamente apoiada em hidrelétricas de grande porte, somada ao crescimento recente de usinas eólicas e solares em estados como Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte. Estados Unidos e China, por sua vez, dependem em maior medida de termelétricas movidas a carvão, gás natural e petróleo para atender à demanda de suas populações e indústrias.
O acompanhamento desses números no Brasil é feito pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal federal sediada no Rio de Janeiro e vinculada ao Ministério de Minas e Energia, responsável por elaborar todos os anos o Balanço Energético Nacional, documento que contabiliza a origem de cada unidade de energia consumida no país e serve de referência também para comparações internacionais, como as compiladas pelo Banco Mundial.
Ter uma matriz elétrica mais limpa não significa, porém, ausência de desafios: a produção brasileira ainda depende do regime de chuvas para abastecer os reservatórios das hidrelétricas, o que pode gerar oscilações no fornecimento em anos de seca, além de exigir investimento contínuo em linhas de transmissão para levar a energia eólica e solar, concentrada em poucas regiões, ao restante do país.



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