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Zema satiriza relação Moraes-Vorcaro em novo vídeo e intensifica críticas ao STF

Estadão

O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) publicou um novo episódio da série "Os Intocáveis" em que satiriza o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O vídeo, divulgado após a revelação de mensagens enviadas por Vorcaro a um contato identificado pela Polícia Federal (PF) como pertencente ao ministro, transforma em música e humor referências às investigações sobre a relação entre os dois.

Na produção, feita com uso de inteligência artificial, um personagem apresentado como Vorcaro canta sobre sua proximidade com Moraes e faz referência às 52 mensagens enviadas a um número identificado pela PF como pertencente ao ministro, ao uso de aeronaves e aos contratos envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado. A PF recuperou 52 mensagens enviadas por Vorcaro ao número identificado como pertencente a Moraes, entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025, data da prisão do banqueiro. "Sou Supremo com milhões de motivos pra comemorar. Sou vítima, sou réu, sou trânsito e julgado", diz o cantor, com características físicas que lembram Moraes, na abertura.

A música também reproduz, em tom satírico, trechos que remetem ao conteúdo das mensagens reveladas pela investigação. "Pego o celular, 52 mensagens a inteirar", canta o personagem. Na sequência, aparecem as frases "Conseguiu bloquear!" e "Segunda eu tenho que estar fora", que fazem referência a mensagens distintas enviadas por Vorcaro a Moraes nos dias que antecederam e no dia de sua prisão. Em 15 de novembro, dois dias antes da prisão, o banqueiro perguntou: "Acha que segunda já tenho que estar fora?", segundo a PF. No dia 17, data em que foi preso, questionou: "Conseguiu ter notícia ou bloquear?".

O episódio ainda faz menção a um jatinho e a um helicóptero. A referência está relacionada a uma minuta de contrato de R$ 50 milhões que, segundo a investigação, previa o pagamento de R$ 40 milhões por meio da transferência de cotas de duas aeronaves e outros R$ 10 milhões como reembolso de despesas com voos. A minuta envolvia a Viking Participações, empresa da qual Vorcaro era sócio, e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que a proposta não foi aceita, que nada foi assinado e que o contrato anterior, de cerca de R$ 130 milhões, foi encerrado com a liquidação do Banco Master.

Em outro trecho, a produção cita "Malu e Lauro", em referência aos jornalistas Malu Gaspar e Lauro Jardim. Os dois divulgaram informações sobre o caso Master. Conversas obtidas pela investigação também mostraram que Vorcaro monitorava a atuação dos jornalistas e, segundo informações da investigação da PF, chegou a discutir um plano para intimidar Lauro Jardim.

A música ainda menciona um "terrivelmente mineiro", em uma referência ao próprio Zema, e coloca no roteiro um personagem identificado como Gilmar Mendes. "É sobre aquele cara que sempre quer me derrubar, de cabelo grisalho e fala mansa", diz um dos personagens. Em seguida, o outro responde: "Isso é bullying".

A produção termina com uma adaptação do slogan que Zema vem utilizando em sua campanha: "Somos os seres supremos, é melhor se acostumar! Nós somos os intocáveis. Quero ver quem vai nos tirar!". A expressão "intocáveis" é usada por Zema em seu discurso de crítica a ministros do STF. Anteriormente, Zema lançou o plano de governo "Brasil sem Intocáveis", com propostas para limitar poderes da Corte, incluindo restrições a decisões monocráticas e mudanças nas regras para processos de impeachment.

O novo vídeo foi anunciado por Zema como o "episódio mais importante" da série. Após a divulgação do material pela PF nesta semana, o candidato intensificou as críticas ao Supremo. Desde então, Zema passou a explorar o caso em sua comunicação de campanha e a defender medidas contra Moraes. A estratégia também ocorre em meio à disputa pelo eleitorado de direita e à tentativa de Zema de se diferenciar de outros candidatos que passaram a defender o impeachment do ministro após a divulgação das mensagens.

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