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Ruas intensifica campanha pró-Flávio e Paes mantém apoio a Lula no Rio

Estadão

A quatro dias do segundo turno presidencial, o governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), mantém uma campanha ostensiva em favor de Flávio Bolsonaro (PL), com carreatas pelo interior fluminense e intensa divulgação de conteúdos da direita nas redes sociais. Já o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), derrotado na eleição estadual, adotou uma mobilização mais tardia e moderada pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com atos presenciais pontuais e vídeos próprios nos quais procura convencer eleitores a partir das entregas de suas administrações na capital.

A agenda de Ruas também tem um componente de retribuição política. Depois de fazer da associação com Flávio uma das principais marcas de sua campanha vitoriosa ao governo do Rio, é agora o governador eleito quem percorre o Estado para pedir votos ao senador.

Nesta quarta-feira, 21, programou carreatas e caminhadas em três municípios do Noroeste Fluminense: Itaperuna, Bom Jesus do Itabapoana e Santo Antônio de Pádua. Na terça-feira, 20, comandou uma carreata em Nova Friburgo, enquanto a vice-governadora eleita, Fernanda Louback, liderou outra em Teresópolis. No domingo, 18, Ruas também participou de uma motociata em Maricá.

Nas redes sociais, Ruas mantém uma movimentação ainda mais frequente, embora sua estratégia dependa mais do compartilhamento do que da produção de conteúdos próprios. O governador eleito utiliza o perfil para divulgar vídeos das carreatas que comanda no Rio, reproduzir registros de mobilizações de Flávio pelo País e compartilhar publicações do próprio senador, cortes de suas intervenções no debate presidencial e gravações de outras lideranças da direita, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Em vez de investir em vídeos longos para construir uma argumentação própria, Ruas atua sobretudo como um amplificador de conteúdos já disponíveis no campo bolsonarista. É uma forma menos trabalhosa de manter uma presença constante nas redes, aproveitando materiais e mensagens que já circulam entre os apoiadores de Flávio.

O governador eleito atua, assim, em duas frentes complementares: leva o palanque de Flávio a municípios do Rio e utiliza sua presença digital para reforçar mensagens de uma rede mais ampla de apoiadores do senador. Coordenador da campanha presidencial do PL no Estado, Ruas procura aproveitar a mobilização que o levou à vitória no primeiro turno da eleição para o governo fluminense.

Paes, por sua vez, tem adotado um ritmo menos intenso de aparições públicas em defesa de Lula. Após um período de menor exposição desde a derrota estadual, o ex-prefeito retomou a participação na campanha com uma reunião de lideranças comunitárias no sábado, 17, e passou a investir em gravações voltadas a apresentar os benefícios que atribui à parceria entre suas administrações municipais e o governo federal.

A diferença também está no conteúdo. Enquanto Ruas compartilha com frequência publicações da campanha de Flávio e de outras lideranças da direita, Paes procura construir uma argumentação própria, dirigindo-se inclusive a eleitores que não se identificam com o PT. Na segunda-feira, 19, o ex-prefeito publicou um vídeo em que reconheceu a derrota para Ruas, afirmou não ser petista nem lulista e defendeu que a escolha presidencial fosse feita com base nos resultados das administrações, e não na preferência partidária.

Na terça-feira, Paes deu continuidade à série com uma gravação dedicada à saúde. O ex-prefeito apresentou a criação dos supercentros cariocas e a transferência da gestão de hospitais federais para a prefeitura como exemplos de iniciativas viabilizadas com apoio de Lula. Segundo ele, o governo federal destinou mais de R$ 700 milhões à recuperação e à manutenção dos hospitais Andaraí e Cardoso Fontes, enquanto o primeiro supercentro, em Benfica, já realizou mais de 3,4 milhões de atendimentos.

"Para mim, a eleição do Lula significa na prática isso, mais supercentro de saúde na sua vida. Significa hospital federal funcionando de novo", disse Paes, que tem procurado apresentar a reeleição do presidente como uma escolha ligada à manutenção de investimentos e serviços públicos na cidade.

Mesmo na mobilização presencial, Paes tem privilegiado encontros menores, como o realizado com lideranças comunitárias no sábado, em vez de uma sequência de carreatas pelo Estado. Ao divulgar a atividade, defendeu que a campanha deixasse em segundo plano a identificação ideológica. "Deixem o debate ideológico pra quem vai pela ideologia! Vamos falar de entregas! De vida real!", escreveu.

As estratégias também refletem as relações que os dois estabeleceram com os candidatos presidenciais durante a eleição estadual. Ruas fez da proximidade com o bolsonarismo uma marca de sua campanha e, após a vitória, assumiu a coordenação da mobilização por Flávio no Rio. Paes, que explorou menos a associação com Lula enquanto disputava o governo estadual, agora procura usar sua experiência como prefeito para defender o presidente sem vincular seu discurso diretamente à identidade petista.

A disputa pela mobilização dos eleitores fluminenses ocorre depois de Flávio encerrar o primeiro turno com 53,01% dos votos no Estado, contra 39,41% de Lula, uma vantagem superior a 1,2 milhão de votos. Na reta final, Ruas tenta manter nas ruas e nas redes a força política demonstrada pelo PL na eleição estadual, enquanto Paes busca convencer parte do eleitorado a fazer uma escolha diferente para a Presidência, com uma atuação mais seletiva e centrada nas realizações que atribui à parceria com Lula.

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