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Lula se rende ao smartphone em corrida para reduzir desvantagem nas redes sociais

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Lula se rende ao smartphone em corrida para reduzir desvantagem nas redes sociais
Lula se rende ao smartphone em corrida para reduzir desvantagem nas redes sociais

Por Luciana Magalhaes e Oliver Griffin e Lisandra Paraguassu

SÃO PAULO, 24 Out (Reuters) - A poucos dias de completar 81 anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou nesta semana seu primeiro smartphone, disseram dois ex-assessores.

A opção de Lula de finalmente passar a usar um aparelho fundamental da vida moderna demonstra o reconhecimento tácito de que ele não conseguiu acompanhar o ritmo do eleitorado brasileiro, que agora passa grande parte do tempo online. Isso pode contar contra ele no segundo turno da eleição presidencial neste domingo.

"Eu agora estou virando o rei das selfies, agora estou virando um internauta", disse Lula a apoiadores em um comício recente em Brasília, dando pistas sobre seus esforços renovados para navegar pelas redes sociais.

A nova aventura tecnológica de Lula ilustra uma mudança gravitacional na política brasileira, na qual a capacidade de um candidato de converter milhões de seguidores em plataformas como TikTok, Instagram e WhatsApp em votos pode catapultá-lo para os mais altos escalões da política do país.

Durante as eleições parlamentares que ocorreram junto com o primeiro turno da votação presidencial deste mês, diversos candidatos mais jovens e articulados nas redes sociais dominaram suas disputas, conquistando centenas de milhares ou milhões de votos.

Concorrendo pelo PL, o partido de Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, de 30 anos, e Lucas Pavanato, de 28, obtiveram, cada um, mais de 3 milhões de votos em suas respectivas disputas, enquanto Júlia Zanatta, de 41 anos, garantiu mais de meio milhão.

Pelo PSOL, Erika Hilton, de 33 anos, foi eleita com mais de 1,5 milhão de votos, enquanto Ana Elisa Silva, de 21 anos, do PT obteve 524.219 votos.

CAMINHO DAS PEDRAS

Lula, um ex-engraxate que se tornou um ícone global da esquerda, candidatou-se pela primeira vez à presidência em 1989 e busca um inédito quarto mandato no cargo. Em seu caminho está o senador de direita Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que surpreendeu os institutos de pesquisa ao liderar a votação no primeiro turno.

"Acredito que a comunicação digital não é um privilégio geracional", disse Ana Elisa à Reuters. "A idade pode influenciar a familiaridade com determinadas plataformas e linguagens, mas não determina a capacidade de comunicar, mobilizar ou construir uma comunidade."

Ana Elisa, estudante de direito de Minas Gerais, juntou-se a um grupo próximo a Lula para ajudá-lo a navegar melhor no cenário das redes sociais após seu desempenho decepcionante no primeiro turno.

Embora as campanhas em redes sociais sejam algo natural para candidatos mais jovens e nativos digitais, figuras experientes também estão se adaptando, o rival de Lula, Flávio, interage diretamente com os eleitores ao manter seu próprio canal no YouTube.

Para um político como Lula, que admite abertamente sua aversão a telefones celulares, a mudança exige alguns ajustes, disse Ana Elisa.

“No caso do presidente Lula, existe uma trajetória de comunicação política anterior à internet, construída a partir da relação com trabalhadores, sindicatos, movimentos populares e grandes mobilizações presenciais, “ disse ela. “Essa experiência continua sendo importante, mas precisa dialogar com as transformações na maneira como as pessoas consomem informação, especialmente os jovens.”

POLÍTICOS INFLUENCERS

O poder emergente dos políticos influencers representa a evolução natural de um fenômeno que começou com políticos buscando personalidades das redes sociais para apoiar suas campanhas, disse à Reuters Maximo Zaldivar, diretor regional para América Latina e Caribe da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (IFES).

"O influencer tem seu próprio capital político. Seus seguidores, o grupo social ao qual ele se inseriu... É isso que ele traz para a mesa, e nenhum político consegue competir com isso", disse Zaldivar.

Entre os políticos influencers, Ferreira está em um patamar à parte. Apoiador convicto de Flávio e filho de um pastor evangélico, ele ostenta quase 25 milhões de seguidores no Instagram, o equivalente a mais de 10% da população brasileira.

Embora qualquer pessoa possa entrar nas redes sociais, o sucesso exige comprometimento e uma mensagem consistente, disse Zanatta, deputada federal conservadora de Santa Catarina.

"Eu nunca pensei se iria atingir mais gente, ou se iria desagradar", disse ela à Reuters.

(Reportagem de Luciana Magalhaes e Oliver Griffin em São Paulo e Lisandra Praguassu em Brasília)

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