SÃO PAULO, 2 Ago (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou sua candidatura à reeleição para Presidência neste domingo durante a convenção nacional do PT, e citou o fortalecimento da defesa nacional e o estabelecimento de políticas voltadas para terras raras e transição energética entre as prioridades de um eventual próximo mandato.
Lula citou em seu discurso cinco compromissos que estabeleceu para seu possível próximo governo, entre os quais estão o fortalecimento da educação e a criação de programas voltados para o bem-estar da população idosa, além das questões de defesa, terras raras e transição energética.
"Nós precisamos investir na indústria da defesa", afirmou. "Por que um país como o Brasil não tem fábrica de drones?", questionou o presidente, acrescentando que o BNDES será instado a atuar nessa área.
Lula foi enfático em relação aos minerais críticos, defendendo a autonomia do país em relação a exploração da terras raras.
"Vou levar a sério a questão de terras raras e minerais críticos. Isso é patrimônio do povo brasileiro. Quem tem que lucrar com isso é o povo brasileiro. Nem chinês, nem americano, nem francês vão meter os dedos nas nossas terras raras", afirmou.
O presidente e candidato à reeleição também falou sobre a violência contra mulheres, chamando até a primeira-dama Rosângela da Silva, Janja, para falar brevemente no palco.
Lula afirmou que o plano de governo será divulgado dia 16, em evento no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), seu berço político.
O evento deste domingo contou com participações de lideranças do PT e aliados do partido, com falas do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, que será o candidato do partido ao governo de São Paulo, além do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Essa é a última indicação de Lula como candidato à Presidência, aos 80 anos, e pela primeira vez em quase 40 anos ele é o candidato presidencial de todos os cinco principais partidos de centro-esquerda.
O crescimento de uma coalizão em torno de Lula vem de uma estratégia de sobrevivência, à medida que os brasileiros se tornam cada vez mais conservadores e o espaço da esquerda no país diminui.
De acordo com o pesquisador Felipe Nunes, autor do livro "Brasil no Espelho", de 2014 a 2023, a parcela de brasileiros que se consideram de direita subiu de 26% para 37%, enquanto a dos que se identificam como de esquerda caiu de 29% para 23%.
Atualmente, Lula lidera as pesquisas de opinião para os dois turnos da eleição, com uma margem pequena, mas consistente, sobre Flávio Bolsonaro.
(Por Igor SodréEdição de Pedro Fonseca)



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