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'Gostaria de que, dos nossos bandidos, nós cuidássemos', diz Múcio sobre medida dos EUA

Estadão

O ministro da Defesa, José Múcio, chamou de "intromissão" a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos.

"Estou falando como cidadão, eu gostaria de que, dos nossos bandidos, nós cuidássemos", disse Múcio ao ser questionado por jornalistas em cerimônia de apresentação do primeiro Gripen F à Força Aérea Brasileira (FAB), realizada na Suécia nesta terça-feira, 2.

O ministro se refere à recente designação do governo Donald Trump sobre as organizações criminosas brasileiras. Com a nova medida, o PCC e o CV são considerados grupos terroristas com atuação em solo americano.

Na semana passada, um dia após a decisão dos EUA, o governo brasileiro publicou uma nota afirmando que a "soberania nacional é inegociável". "O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional", disse o Planalto.

No evento na Suécia, Múcio reforçou o posicionamento do governo. "Acho uma intromissão o vizinho se meter nos problemas da minha casa. Então, sabemos que são bandidos, precisamos achar caminhos para resolver, precisamos enfrentar o crime organizado, que tem crescido muito no Brasil, mas isso é uma solução que tem de ser intramuros. A gente tem que se fixar muito na nossa soberania. Nós temos grandeza para resolver isto também", afirmou o ministro da Defesa.

Além disso, Múcio classificou como "instáveis" as medidas americanas e comentou a tarifa de 25% proposta pelos EUA sobre exportações brasileiras.

"É capaz de você, amanhã, não me fazer mais essa pergunta. A gente pergunta uma coisa numa semana, outra coisa noutra semana. Há 15 dias, Lula estava nos Estados Unidos, voltou num clima de muita amizade e hoje nós surpreendemos", disse.

O Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) concluiu uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil e propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, publicada na segunda-feira, 1.º, se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 - dispositivo usado contra práticas comerciais consideradas injustas ou discriminatórias. A investigação foi aberta em julho de 2025 por ordem de Trump. O representante comercial dos EUA concluiu haver atos, políticas e práticas do Brasil "desarrazoadas ou discriminatórias que oneram ou restringem o comércio dos EUA".

Gripen F é apresentado à FAB

Nesta terça, o ministro da Defesa participou, em Linköping, na Suécia, de uma cerimônia de apresentação do primeiro Gripen F à Força Aérea Brasileira (FAB). O evento foi realizado nas instalações da fabricante sueca Saab e marca uma etapa do contrato firmado em 2014, que prevê a entrega de 36 aeronaves de combate ao Brasil: 28 na versão Gripen E e oito na versão F.

O Gripen F é a variante biposto (projetada para acomodar duas pessoas) do Gripen E, já operado pela FAB. A segunda cabine permite que um instrutor acompanhe o piloto em missões reais, acelerando o treinamento de conversão sem abrir mão da capacidade operacional da aeronave. As entregas começaram em 2020 e, até o momento, 11 aviões já foram recebidos pela FAB. Antes da entrega definitiva, o primeiro Gripen F passará por uma campanha de testes de voo no Centro de Testes da Saab, na própria Suécia.

O Brasil teve papel ativo no desenvolvimento da versão biposto. Como cliente lançador, o País participou do desenvolvimento da aeronave e recebeu transferência de tecnologia que capacitou centenas de engenheiros e técnicos brasileiros.

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