19 Out (Reuters) - O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) prometeu nesta segunda-feira acabar com o que chamou de "entraves ambientais por razões ideológicas" caso seja eleito presidente, e disse que os proprietários de terra poderão fazer o que quiserem em suas propriedades caso ele chegue ao Palácio do Planalto.
Em evento com apoiadores em Marabá (PA), na região amazônica, Flávio prometeu ainda fazer "a maior regulamentação fundiária" da história do Estado.
"Eu vou fazer a maior regulamentação fundiária que o Pará já viu, a sua terra vai ser sua no papel. Vamos respeitar a propriedade privada, você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu", afirmou o senador em discurso durante uma motocarreata na cidade.
"Esses entraves ambientais que existem, principalmente por razões ideológicas, a gente vai acabar", afirmou, sem detalhar a quais entraves se referia.
A retórica de Flávio ecoa a defesa que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, fez durante seu governo entre 2019 e 2022 de revogação de parte da regulamentação ambiental que ele enxergava como excessiva, mas que ambientalistas apontam como necessárias para preservar a floresta e o meio ambiente.
Durante uma reunião ministerial em abril de 2020, cuja gravação foi divulgada posteriormente, o então ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, Ricardo Salles, defendeu aproveitar que as atenções estavam voltadas para a pandemia de Covid-19 e "passar a boiada" para desregulamentar e mudar regras ambientais, no que foi, à época, alvo de críticas de ambientalistas.
O desmatamento da Amazônia, medido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao governo federal, superou a marca de 10 mil quilômetros quadrados em cada um dos quatro anos do governo Bolsonaro, tendo chegado a 13 mil quilômetros quadrados em 2021, a maior marca em 15 anos. A gestão ambiental do ex-presidente gerou críticas dentro e fora do Brasil.
Na semana passada, o Inpe informou que o desmatamento na Amazônia Legal caiu 42% entre agosto de 2025 e julho de 2026, alcançando 3.335 km², o menor nível registrado desde 1988, quando o governo brasileiro iniciou a coleta de dados. Nos últimos quatro anos, a queda foi de 71,2%.
(Por Eduardo Simões, em São PauloEdição de Pedro Fonseca)
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