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Fake news sobre Nossa Senhora chega aos palanques de Lula e Flávio Bolsonaro

Estadão

Desde que se tornou o terceiro maior assunto político do ano nas redes sociais, a fake news que envolve Nossa Senhora Aparecida chegou aos palanques dos dois principais candidatos à Presidência da República - Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Nos últimos dias, os dois passaram a exibir imagem da padroeira do Brasil em eventos para evitar a rejeição do eleitorado católico. Dados do Censo de 2022 estimam que 100,2 milhões (56,7%) dos brasileiros são católicos.

Desde quinta-feira, 24, uma fake news envolvendo Nossa Senhora Aparecida e Flávio, divulgada pela esquerda, viralizou nas redes sociais e, ao lado do fim das bets, anunciado por Lula, se transformou em um dos principais assuntos deste momento da campanha.

Levantamento do Instituto Democracia em Xeque mostrou que o assunto teve quase 1 milhão de publicações nas redes sociais em menos de três dias.

Neste domingo, 27, Lula disse que "mexer com a Nossa Senhora Aparecida não é aceitável" e foi confrontado com a informação de que a notícia era falsa. "Eu não sei se foi fake news. O dado concreto é que isso está na rede social muito forte. Como já tenho a experiência de já terem chutado a Nossa Senhora Aparecida e dizerem que ela não será padroeira do Brasil, eu quero dizer que ela será padroeira do Brasil porque o povo brasileiro quer e tem fé", respondeu Lula.

Segundo monitoramento de redes sociais feito pela campanha de Flávio e apresentado à Justiça Eleitoral, a publicação que deu origem à onda de boatos foi feita pelo influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, autor do perfil "Dilma Bolada". No post, publicado às 21h50, ele afirmou que católicos não deveriam votar em candidatos que quisessem retirar o título da santa.

A notícia falsa faz a alegação de que Flávio Bolsonaro apoiaria um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Não há nenhuma proposição do tipo que conte com o apoio de Flávio neste momento.

Nesse mesmo domingo, poucas horas antes, Flávio afirmou que o PT contou com ajuda "de gente de dentro da CNBB" para espalhar a notícia falsa. Em nota, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disse que "não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral".

No dia seguinte, a imagem da santa foi parar nos dois palanques. Pela manhã, Flávio apareceu com uma Nossa Senhora de crochê em evento em São Paulo. Durante a agenda, Flávio fez um aceno à CNBB e agradeceu pela nota publicada.

Poucas horas depois, ele apareceu em um podcast católico com o amigurumi da padroeira do Brasil e equiparou a fake news à "facada" que Jair Bolsonaro, pai dele, sofreu em 2018. "Acho que eu posso considerar uma espécie de facada também essa fake news em mim", disse.

Na noite da segunda-feira, 28, foi a vez de Lula. Em comício em Belém, Lula levantou uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré. "Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religiões, principalmente as religiões de matriz africana. Ninguém é dono da verdade", afirmou o presidente no Pará.

A própria primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, também entrou em ação. Durante um evento em que Lula sancionou lei de apoio ao futebol feminino, ela apareceu com um colar com a imagem de Nossa Senhora.

Lula voltou a manter o assunto em discussão nesta terça-feira, 29, durante comício em Fortaleza. Ele levantou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Antes de começar a discursar, Lula fez o sinal da cruz. "Enquanto eu for presidente da República, Nossa Senhora Aparecida será a padroeira do Brasil. Quem não quiser que mude do Brasil, porque ela vai continuar cuidando corretamente da fé das pessoas", disse.

Mesmo quando já era público que as informações que circulavam sobre ataques de Flávio Bolsonaro a Nossa Senhora Aparecida eram falsos, o coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), George Marques da Silva e Silva, republicou mensagem que estimulava o compartilhamento das mensagens.

"Parem de divulgar retratação. Deixem o assunto rolar. Eles fizeram isso em outras eleições e quase nos ferram. Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte", dizia a publicação, que depois foi apagada. Flávio pediu a prisão preventiva do integrante do governo Lula pelo caso.

O PT ainda publicou, no começo desta semana, uma cartilha com orientações para que militantes do PT convençam eleitores indecisos a votar no presidente. Esse mesmo manual traz o "passo a passo da conversa perfeita" e destaca a religião como um dos assuntos que devem ser abordados. Uma das orientações é que o apoiador do presidente fale que Lula "é católico e sempre guiado por valores cristãos de amor ao próximo e cuidado com quem mais precisa".

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