Manaus/AM - "Eu não quero virar uma estatística de feminicídio." O apelo é de Isadora, que buscou o Portal do Holanda o espaço para romper o silêncio e expor uma rotina de terror que durou quatro anos. Vítima de violência doméstica em suas mais diversas formas — física, moral, patrimonial e, sobretudo, psicológica —, ela relata o esgotamento físico e mental provocado por um ciclo de humilhações, subjugação de gênero e manipulações que, segundo a denunciante, revelam os desafios enfrentados para obter amparo institucional.
De acordo com o relato da vítima, a trajetória aponta dificuldades no andamento inicial dos registros. Isadora afirma que firmou quatro boletins de ocorrência ao longo do relacionamento. Nos três primeiros episódios, que detalhavam o agravamento das agressões e o uso de perfis falsos em redes sociais — a exemplo de uma conta em nome de "Arlindo Ferreira" criada, segundo ela, com o intuito de difamá-la em seu ambiente de trabalho —, a denunciante aponta que as investigações não tiveram o avanço esperado na delegacia.
A vítima relata que o cenário atingiu o extremo com três episódios de tentativa de feminicídio. Segundo Isadora, a última investida revelou a intenção clara do agressor de tirar-lhe a vida, momento em que ela decidiu romper o ciclo e buscar ajuda formal, mesmo sob ameaças de morte caso o denunciasse.
Munida de um relatório de 120 páginas entregue à autoridade policial detalhando os abusos, a denunciante aponta que a delegada responsável pelo caso solicitou por duas vezes a prisão preventiva do investigado. No entanto, conforme relata a vítima, os pedidos foram indeferidos após análise técnica do Ministério Público e do Poder Judiciário, mantendo o investigado em liberdade.
Outras salvaguardas previstas na legislação também enfrentaram obstáculos operacionais, conforme relata Isadora. A vítima afirma que o monitoramento por tornozeleira eletrônica foi negado diante das circunstâncias avaliadas nos autos, assim como relatou dificuldades pontuais no atendimento ao acionar o patrulhamento preventivo garantido por medida protetiva.
Na esfera penal, a condução do caso tem exigido um esforço contínuo da defesa, segundo a denunciante. A vítima aponta que, em primeira instância, o agressor foi absolvido de acusações de crimes contra a honra, apesar da apresentação de áudios comprobatórios de xingamentos, ameaças e episódios de abandono em via pública com o filho do casal.
Isadora também relata preocupação com a interpretação de registros de reações emocionais apresentados pela parte contrária, que, segundo ela, foram gerados após anos de desgaste psicológico decorrentes das agressões sofridas.
Após atuação da promotoria e a análise aprofundada do dossiê apresentado, a denúncia foi aditada para incluir oficialmente o crime de ameaça. Enquanto aguarda os desdobramentos da próxima audiência judicial, Isadora mantém o apelo público por celeridade, rigor da lei e atenção sensível da rede de apoio para evitar um desfecho fatal.



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