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Mulheres denunciam clínicas clandestinas em Manaus após complicações em cirurgias íntimas

Mulheres denunciam clínicas clandestinas em Manaus após complicações em cirurgias íntimas
Delegado Jorge Arcanjo - Foto: Jander Robson/Portal do Holanda

Manaus/AM -A Polícia Civil deflagrou uma operação contra duas clínicas de estética em Manaus que realizavam procedimentos médicos sem autorização no bairro Adrianópolis. O delegado Jorge Arcanjo explicou que a investigação começou há cerca de quatro meses, após uma denúncia de uma paciente que sofreu complicações graves em decorrência do procedimento. Outros casos também surgiram.

“Essas investigações iniciaram há cerca de três ou quatro meses, né, por conta de uma senhora que foi vitimada após fazer o procedimento em uma dessas clínicas. Ela foi fazer um procedimento chamado ninfoplastia. Esse procedimento é para diminuição dos lábios vaginais e esse procedimento trouxe uma série de complicações para essa senhora, inclusive a dificuldade na cicatrização. Ela foi atendida no hospital do SUS com graves problemas de saúde”, relatou o delegado.

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Clínicas ficam no Adrianópolis e São José - Foto: Jander Robson/Portal do Holanda

Segundo Arcanjo, os procedimentos eram realizados sem estrutura adequada e anunciados como “cirurgia a laser”, mas na prática envolviam cortes com laser de CO₂.

“Isso faz com que as vítimas achem que é um procedimento apenas estético, mas não. Ele é feito com corte, porém sem bisturi. Ele é a laser, só que um laser abastecido por CO₂ e ele faz o corte. Nós temos vídeos do procedimento feito ao vivo, inclusive essa cirurgia”, afirmou.

Sem divulgar nomes, o delegado destacou que as responsáveis pelos procedimentos são uma enfermeira e cirurgiã-dentista e uma biomédica, mas há indícios de outras profissionais envolvidas.

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Delegado Jorge Arcanjo - Foto: Jander Robson/Portal do Holanda

“Portanto, se o médico por si só, sem especialização, não pode fazer tal procedimento, tem que ser o cirurgião ginecológico ou um cirurgião dermatológico, quiçá um biomédico, ou um cirurgião dentista. Há uma grande briga judicial entre os conselhos, porque segundo a lei da medicina esse procedimento tem que ser feito por médico”, explicou.

Segundo ele, os procedimentos eram realizados sem estrutura adequada, em salas comuns, quando deveriam ocorrer em bloco cirúrgico de nível II ou III, com suporte para emergências como parada cardíaca. Durante a operação, materiais foram apreendidos, incluindo produtos sem autorização da Anvisa, o que pode configurar contrabando e crimes contra a saúde pública.

“Estamos avaliando tudo e analisando a possibilidade do flagrante acidental por contrabando equiparado, já que estavam lá armazenados e sendo utilizados produtos sem autorização da Anvisa. A princípio, talvez crimes contra a saúde pública também”, disse Arcanjo.

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O delegado informou ainda que já foram identificadas ao menos três vítimas.

“Iniciou com uma vítima, já apareceram mais duas. Existe a dúvida se vamos considerar como vítima apenas quem foi mutilada ou quem teve problemas a partir do procedimento, ou se todas que foram atendidas. Ainda está muito prematuro todo o procedimento. Agora, após a deflagração, teremos elementos mais robustos para poder passar”, concluiu.

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