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Famílias de vítimas do Massacre do Rio Abacaxis serão indenizadas após decisão da Justiça Federal

Famílias de vítimas do Massacre do Rio Abacaxis serão indenizadas após decisão da Justiça Federal
Terra Indígena Kwatá Laranjal no Rio Abacaxis, no Amazonas. Foto: Funai

Em decisões proferidas nos dias 3 e 8 de setembro pela juíza federal Jaiza Maria Pinto Fraxe, da 1ª Vara Federal Cível do Amazonas, a Justiça Federal reconheceu a responsabilidade civil da União e do Estado do Amazonas pelas mortes decorrentes da operação policial realizada em agosto de 2020 no Massacre do Rio Abacaxis, entre os municípios de Borba e Nova Olinda do Norte.

As sentenças determinam o pagamento de R$ 900 mil em indenizações por danos morais, além de pensões mensais e retratações públicas a familiares de três vítimas: um ribeirinho e dois irmãos indígenas da etnia Munduruku.

Condenações e reparação às famílias

  • Caso do ribeirinho (Anderson Barbosa Monteiro): A União e o Estado foram condenados solidariamente ao pagamento de R$ 400 mil por danos morais ao pai da vítima. Também foi estabelecida pensão mensal de um terço do salário mínimo e a publicação de um pedido público de desculpas.

  • Caso dos irmãos indígenas: A Justiça determinou o pagamento de R$ 500 mil em danos morais à mãe dos dois jovens Munduruku assassinados, somado a pensão mensal equivalente a um terço do salário mínimo e pedido formal de desculpas.

A magistrada apontou falhas graves na atuação das forças de segurança e ressaltou que a União também possui responsabilidade civil, visto que órgãos federais haviam sido alertados sobre o aumento das tensões na região antes da deflagração da operação.

Provas e dinâmica dos crimes

As investigações e os laudos técnicos — que utilizaram geolocalização de celulares, dados telemáticos e perícia da Polícia Federal — refutaram a tese de legítima defesa apresentada pelos agentes.

  • Morte de Anderson Barbosa Monteiro (34 anos): O ribeirinho foi interceptado por policiais militares em 5 de agosto de 2020, nas proximidades da Comunidade Monte Horebe. Testemunhas e dados de geolocalização confirmaram a abordagem na lancha militar e posterior execução por disparos de fuzil no Igarapé Taracuá.

  • Morte dos irmãos Munduruku: Na mesma data, os dois jovens foram abordados na Terra Indígena Kwatá-Laranjal. A sentença comprovou que os irmãos foram mortos após disparos da guarnição e que houve ocultação de cadáveres: um corpo foi achado dias depois no rio, enquanto o outro foi levado, esquartejado e ocultado por policiais, com identificação posterior por DNA.

O conflito teve início em julho de 2020, quando uma embarcação com um secretário executivo estadual entrou sem autorização em área indígena e de conservação, gerando um desentendimento com moradores locais. Dias depois, policiais militares à paisana retornaram ao local, resultando em um confronto que vitimou dois PMs.

Como resposta, o governo estadual enviou mais de 50 policiais à região. Nas semanas seguintes, moradores de 11 comunidades relataram episódios de tortura, espancamentos e ameaças. O inquérito conduzido pela Polícia Federal indiciou 13 pessoas por crimes que incluem homicídio qualificado, ocultação de cadáver, tortura, constituição de milícia privada e fraude processual.

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