Em sua primeira entrevista depois de deixar a prisão, a cabeleireira Débora Rodrigues, conhecida como "Débora do Batom", descreveu o que viveu durante mais de dois anos de detenção preventiva. Ela foi presa em 17 de março de 2023, por volta das 5h50, diante dos dois filhos, que tinham 11 e 8 anos. Segundo seu relato, disse às crianças que conversaria com o policial e voltaria logo, mas foi algemada e levada em uma viatura.
Débora afirma que, na penitenciária de segurança máxima onde ficou, a cela não tinha luz e as paredes estavam sujas de fezes e sangue. O kit de higiene entregue a ela, de acordo com a descrição, estava encharcado de urina. Ela também contou ter passado por revistas íntimas humilhantes, inclusive durante a menstruação, e por transferências com os pés e as mãos algemados. "Me senti como um bicho", resumiu.
A maior dor, segundo ela, foi a separação dos filhos e o impacto que isso teve sobre eles. O mais velho, conta a mãe, deixou de sorrir depois do episódio, e a família enfrentou dificuldades financeiras, com corte de serviços básicos. "O que mais dói é ter sido levada na frente dos meus filhos e tudo o que vivi lá dentro", declarou.
Débora foi condenada a 14 anos de prisão por participação nos atos de 8 de janeiro. Desde setembro de 2025, cumpre pena em prisão domiciliar, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, com restrições como a proibição de usar redes sociais. O caso voltou ao debate público com a divulgação da entrevista, que reacendeu a discussão sobre as condições de cumprimento de pena e sobre eventuais acordos políticos envolvendo os condenados.
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