O réu Victor de Souza Rocha foi condenado a 26 anos e seis meses de prisão pelo assassinato de Kariny Sevalho Lima, de 19 anos, que estava grávida de três meses e mantinha um relacionamento com o acusado. O crime ocorreu em maio de 2022, no bairro Lago Azul, zona Norte de Manaus.
A sentença foi proferida na madrugada desta sexta-feira (18), após julgamento popular iniciado na manhã de quinta-feira (17) no Fórum Ministro Henoch Reis, presidido pela juíza Danielle Monteiro Fernandes Augusto. O réu, que já estava preso preventivamente desde 2023, teve a manutenção da prisão decretada para início imediato do cumprimento da pena em regime fechado.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Amazonas (MP/AM), Kariny foi à residência de Victor na noite de 25 de maio de 2022 para informar que levaria adiante a gestação, após receber apoio de seus familiares. O investigado, contudo, pressionava a jovem a realizar um aborto e dizia a conhecidos que "não queria ser pai de um filho preto".
Após chegar ao local, o celular da vítima foi desligado. Familiares que foram à residência receberam a versão de que ela teria ido embora. Testemunhas, no entanto, relataram que Kariny desceu com o réu para uma área de mata próxima, de onde Victor retornou sozinho e nervoso.
O corpo da jovem foi localizado no dia seguinte por equipes da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), apresentando sinais de tortura e múltiplas lesões na face, no crânio e nos membros.
Durante o julgamento, o promotor de justiça Marcelo Bitarães sustentou a acusação integral. A defesa pediu a absolvição do réu por negativa de autoria.
O Conselho de Sentença acolheu a tese acusatória e condenou o réu por homicídio qualificado (reconhecendo as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio), além dos crimes de aborto provocado por terceiros e ocultação de cadáver. Os jurados, por outro lado, rejeitaram a tese de injúria racial.
Em sessão do Tribunal do Júri realizada em Tabatinga e presidida pelo juiz Filype Mariz de Sousa Guimarães, outro réu foi condenado a 19 anos de prisão por feminicídio. Os jurados rejeitaram a tese de suicídio e acataram a acusação de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe por ciúmes, asfixia e violência doméstica) referente a um crime cometido em novembro de 2015, quando o assassino tentou forjar a cena do crime no banheiro da residência da vítima.
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