Por Manya Saini
A Berkshire Hathaway informou nesta sexta-feira que Warren Buffett deixará o cargo de presidente do conselho de administração e passará a atuar como presidente emérito, com efeito imediato, nove meses após transferir o comando executivo da companhia para seu braço direito de longa data, Greg Abel.
A empresa nomeou seu filho, Howard Buffett, membro do conselho desde 1993, para assumir a presidência do colegiado.
Warren Buffett é reconhecido por transformar a Berkshire, de uma empresa têxtil em dificuldades, em um conglomerado avaliado em cerca de US$1,1 trilhão. Sua filosofia de investimentos influenciou gerações de investidores e executivos, tornando-o uma das figuras mais importantes da história corporativa moderna dos Estados Unidos.
“Como presidente emérito, Buffett continuará membro do conselho de administração e seguirá oferecendo sua valiosa avaliação e perspectiva”, afirmou a Berkshire em comunicado.
O título de chairman emeritus normalmente é uma posição honorária concedida a ex-presidentes de conselho ou fundadores de empresas em reconhecimento à sua contribuição e legado.
A reputação de Buffett também se refletiu historicamente no valuation da companhia, com investidores atribuindo por anos um “prêmio Buffett” aos papéis da empresa.
Segundo dados da LSEG, a relação entre valor de mercado e patrimônio líquido (price-to-book) da Berkshire caiu desde que Buffett anunciou sua saída do cargo de CEO, recuando de cerca de 1,62 para 1,53.
A Berkshire continua sendo a única empresa do setor financeiro entre as companhias com valor de mercado superior a US$1 trilhão, grupo dominado por gigantes da tecnologia.
“Sempre foi uma questão de quando, não de se aconteceria. Buffett fez uma saída elegante”, disse Brian Jacobsen, estrategista-chefe de economia da Annex Wealth Management.
“A Berkshire teve anos para se preparar para essa transição, então isso parece mais a conclusão de um plano de sucessão cuidadosamente estruturado do que uma mudança repentina de comando”, acrescentou.
LEGADO SEM IGUAL
“O tempo sempre vence. Mas ele tem sido generoso comigo”, escreveu Buffett, de 96 anos, em carta aos acionistas divulgada nesta sexta-feira.
A influência de Buffett extrapolou a Berkshire, moldando gerações de líderes corporativos e investidores por meio da defesa do pensamento de longo prazo, da alocação disciplinada de capital e de uma gestão direta e pragmática.
“A cultura que Warren construiu e os valores que ele promoveu continuarão no coração da Berkshire, e Howard será o guardião desses princípios”, afirmou Abel em comunicado.
Ao longo das décadas, executivos recorreram a Buffett em busca de orientação sobre aquisições, sucessão e momentos de turbulência nos mercados, enquanto as reuniões anuais de acionistas da Berkshire se transformaram em um evento de referência para investidores em busca de perspectivas sobre a economia e os negócios.
Buffett anunciou pela primeira vez sua intenção de se afastar do comando da companhia em maio de 2025, surpreendendo acionistas e analistas apesar de sua idade avançada. Após décadas à frente da empresa, ele havia se tornado praticamente sinônimo da Berkshire, fazendo da sucessão uma das mais observadas dos Estados Unidos.
“O momento é o adequado para concluir a transição”, escreveu ele aos acionistas.
Em agosto, a Berkshire informou que começou a reduzir sua enorme posição de caixa no segundo trimestre, investindo bilhões de dólares em ações como Alphabet e recomprando bilhões em ações próprias.
A companhia também reportou lucro operacional trimestral de US$12,98 bilhões, alta de 16% sobre um ano antes e acima das expectativas do mercado. O lucro líquido mais do que dobrou, alcançando US$25,67 bilhões, incluindo ganhos e perdas não realizados de investimentos em ações.
Howard Buffett é presidente e CEO da Howard G. Buffett Foundation, organização sem fins lucrativos voltada para segurança alimentar global e mitigação de conflitos. Ele também integrou os conselhos de diversas empresas públicas e privadas, incluindo Agro Tech, Archer-Daniels-Midland, ConAgra Foods e Coca-Cola.
“A empresa está em excelentes mãos e estou ansioso para continuar sendo acionista ao lado de vocês”, escreveu Warren Buffett em sua carta aos investidores.
(Reportagem de Manya Saini e Niket Nishant, em Bengaluru)
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