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Vale transforma, pela 1ª vez, área de mina em território de lazer e cultura em MG

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Vale transforma, pela 1ª vez, área de mina em território de lazer e cultura em MG
Vale transforma, pela 1ª vez, área de mina em território de lazer e cultura em MG

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 25 Set (Reuters) - A mineradora Vale transformou a antiga Mina de Águas Claras (MAC), em Nova Lima (MG), em um território voltado à conservação ambiental, esporte, cultura e lazer, marcando o primeiro processo de fechamento de uma mina da companhia com transição gradual para novos usos.

A área, com mais de 1.900 hectares e localizada na divisa com Belo Horizonte e vizinha à Serra do Curral, terá cerca de 93% de sua extensão destinada à preservação da biodiversidade, incluindo nascentes, cursos d'água, vegetação nativa e fauna local, disse à Reuters a diretora de Gestão de Territórios Sul/Sudeste e Reparação da Vale, Gleuza Jesué.

Para o futuro, a Vale já estuda projetos de uso futuro para a mina Córrego do Meio, em Sabará (MG), já paralisada, e outras em Itabira (MG), que têm atualmente previsão para exaustão em décadas. Também há estudos para Carajás (PA), onde a empresa conta com seu maior complexo de mineração, em área da floresta amazônica.

O projeto da MAC prevê a abertura gradual do espaço à população, combinando recuperação ambiental, segurança e novos usos de interesse público e busca preservar áreas ambientais relevantes da Serra do Curral e da Mata do Jambreiro, afirmou a executiva. 

"Quando a gente fala em fechamento, nós não estamos falando em encerramento de uma atividade produtiva. Mas nós estamos tratando aí como uma transição territorial para uma nova oportunidade, para uma nova fase", disse Jesué, em uma entrevista por videoconferência.

A Mina de Águas Claras produziu 290 milhões de toneladas de minério de ferro entre 1972 e 2002. Desde que assumiu a gestão da área após adquirir a MBR, em 2006, a Vale conduz ações de recuperação ambiental e fechamento da unidade, segundo a executiva. 

A executiva destacou ainda que os novos usos consideram atividades econômicas relacionadas a turismo, conservação, desenvolvimento urbano e outras que podem se instalar ali e se desdobrarem.

Entre as iniciativas já implementadas está a ampliação da trilha que conecta a área ao Parque da Serra do Curral, segundo a diretora.

A Vale também cedeu, por meio de acordos de comodato, quase 108 mil metros quadrados de áreas verdes incorporadas ao Parque da Serra do Curral.

Jesué afirmou que tem sido feito um trabalho constante de ouvir a sociedade sobre os próximos usos da mina. 

"É impossível nós decidirmos sozinhos o que será ofertado à sociedade. As pessoas se sentem incluídas a partir do momento em que elas participam de um processo como esse. E como elas serão as usuárias, elas que precisam nos dizer o que de mais importante gostariam ali", afirmou.

Segundo ela, a empresa realizou pesquisas, oficinas e reuniões públicas para discutir o futuro da área, envolvendo mais de 22 mil pessoas. Em julho, a mina já recebeu uma etapa do circuito XTERRA Brasil, reunindo mais de 3.500 atletas, e a companhia desenvolve ainda um projeto para implantação de um parque voltado ao ciclismo.

(Reportagem de Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)

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