10 Ago (Reuters) - A Uefa, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a Concacaf, que administra o futebol no Caribe, na América do Norte e na América Central, divulgaram nesta segunda-feira uma carta aberta criticando o presidente da Fifa, Gianni Infantino, por sua conduta durante a proposta de venda de uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo.
A declaração, que ficou a um passo de exigir abertamente uma nova liderança, afirmou que Infantino havia quebrado a confiança “por meio de engano” com a proposta agora abandonada, havia “se colocado acima do coletivo” e as três confederações exigiram uma análise totalmente independente do que havia ocorrido.
“A força do futebol sempre foi sua unidade”, diz a carta aberta dirigida à família do futebol. “Exigimos que essa unidade seja honrada agora, por uma liderança que sirva ao futebol, e não que busque comandá-lo.”
O dirigente suíço tem enfrentado uma revolta aberta no mundo do futebol desde que propôs e depois abandonou um plano para separar os direitos comerciais da Copa do Mundo e vender 20% deles a investidores privados, a fim de arrecadar cerca de US$4,2 bilhões.
Fontes próximas aos procedimentos afirmaram que as confederações viram essa carta como uma oportunidade para Infantino, que busca a reeleição no ano que vem, deixar o cargo com sua dignidade intacta.
A Uefa, apoiada pela AFC e pela Concacaf, ameaçou boicotar os torneios da Fifa até receber a garantia de que nenhum esquema semelhante será proposto no futuro.
“A liderança no futebol não é uma posse”, afirmaram no comunicado divulgado nesta segunda-feira. “Não se trata de deter – ou exigir – o poder para ser exercido. É um dever de serviço à família do futebol que o confia.”
“Quando a confiança é quebrada por meio do engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado.”
As três confederações estão analisando a possibilidade de organizar competições entre si para dar aos jogadores a chance de competir em meio à crise em curso com a Fifa, segundo as fontes.
(Reportagem de Nick Mulvenney)



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