Por Anna Pruchnicka
28 Abr (Reuters) - A Ucrânia e Israel trocaram farpas diplomáticas nesta terça-feira, quando o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, condenou o que ele disse serem compras de grãos do território ucraniano ocupado "roubado" pela Rússia e ameaçou com sanções contra aqueles que tentam lucrar com isso.
Kiev considera que todos os grãos produzidos nas quatro regiões que a Rússia reivindica como suas desde a invasão da Ucrânia em 2022, bem como na Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, são roubados e protestou contra sua exportação para outros países.
A Rússia chama as regiões de seus "novos territórios", mas elas ainda são reconhecidas internacionalmente como ucranianas. Moscou não comentou sobre o status legal dos grãos coletados nelas.
"Outro navio que transporta esses grãos chegou a um porto em Israel e está se preparando para descarregar", disse Zelenskiy no X, acrescentando: "Isso não é - e não pode ser - um negócio legítimo".
"As autoridades israelenses não podem desconhecer quais navios estão chegando aos portos do país e que carga estão transportando", acrescentou Zelenskiy.
A Ucrânia convocou o embaixador de Israel nesta terça-feira sobre o que Kiev descreveu como a inação israelense em permitir que carregamentos de grãos entrem no país a partir da Ucrânia ocupada pela Rússia.
O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia disse em um comunicado que entregou ao embaixador uma "nota de protesto".
O ministro israelense das Relações Exteriores, Gideon Saar, disse que Kiev não forneceu nenhuma evidência para suas alegações.
"O navio não entrou no porto e ainda não apresentou seus documentos. Não é possível verificar a veracidade das alegações ucranianas", disse ele em uma coletiva de imprensa em Jerusalém.
Saar disse que a Ucrânia não havia apresentado nenhum pedido de assistência jurídica e rejeitou o que ele chamou de "diplomacia do Twitter".
"Israel é um Estado que respeita o Estado de Direito. Repetimos aos nossos amigos ucranianos: se vocês tiverem alguma prova de roubo, apresentem-na pelos canais apropriados", disse ele.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, Heorhii Tykhyi, disse aos repórteres que Kiev forneceu "informações e provas extensas" de que a carga era ilegal antes de vir a público. O Ministério das Relações Exteriores publicou uma linha do tempo de suas ações e contatos com as autoridades israelenses.
"Não permitiremos que nenhum país, em nenhuma região geográfica, facilite o comércio ilegal com um grão roubado que financia nosso inimigo", disse Tykhyi.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, se recusou a comentar nesta terça-feira, dizendo que a Rússia não se envolveria. "Deixe o regime de Kiev lidar com Israel por conta própria", disse ele.
Traders disseram à Reuters que é impossível rastrear a origem do trigo depois que ele é misturado.
(Reportagem de Anna Pruchnicka; Reportagem adicional da Redação Moscou e Alexander Cornwell)



