O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 21, que seu governo reagirá caso os rebeldes houthis cumpram a ameaça de impor um bloqueio naval aos portos da Arábia Saudita, movimento que pode afetar o transporte global de petróleo e ampliar a tensão no Oriente Médio.
"Se algo assim acontecer, nós resolvemos", disse Trump durante reunião na Casa Branca com o presidente do Líbano, Joseph Aoun. "Vou ver o que acontece. Até agora, nada aconteceu. Pode acontecer. Mas nós resolvemos as coisas. Já fizemos isso com os Houthis antes e não temos notícias deles há algum tempo", disse o republicano.
A declaração ocorre um dia depois de os houthis, grupo rebelde do Iêmen apoiado pelo Irã, anunciarem que pretendem impor um bloqueio naval contra a Arábia Saudita. A medida abriria uma nova frente no conflito regional e aumentaria a pressão sobre o comércio marítimo e o abastecimento mundial de energia.
Segundo a agência de notícias SABA , controlada pelos houthis, seis embarcações alteraram suas rotas no Mar Vermelho nesta terça-feira após receberem alertas emitidos pelo grupo.
Três autoridades houthis também disseram à Associated Press que companhias de navegação foram orientadas a evitar a travessia do Estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden.
O anúncio amplia as preocupações sobre o fluxo de petróleo na região. Com o Estreito de Ormuz bloqueado há meses em meio ao conflito entre Irã e Estados Unidos, a Arábia Saudita passou a depender mais intensamente de um oleoduto até o Mar Vermelho para manter suas exportações de petróleo.
Especialistas avaliam que um bloqueio em Bab el-Mandeb pode comprometer uma das principais rotas alternativas para o transporte de petróleo saudita. Segundo a empresa de dados marítimos Kpler, mais de 3,6 milhões de barris de petróleo e derivados deixam diariamente o país pela rota do Mar Vermelho, principalmente com destino à Ásia.
Os houthis controlam parte do litoral iemenita voltado para o estreito e já utilizaram a região para atacar navios mercantes durante a guerra em Gaza, com o uso de drones, mísseis e sequestros de embarcações. Agora, analistas avaliam que o grupo pode voltar a empregar essa estratégia para pressionar a Arábia Saudita e seus aliados.
A escalada ocorre após novos atritos entre os houthis e o governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita. O grupo acusa Riad de bombardear a pista do aeroporto internacional de Sanaa depois que autoridades tentaram impedir o pouso de uma aeronave iraniana que transportava uma delegação houthi de volta de Teerã. Em resposta, os rebeldes atacaram o aeroporto saudita de Abha, no primeiro ataque direto em território da Arábia Saudita desde 2022.
A coalizão liderada por Riad afirmou que responderá "com rapidez e firmeza" a qualquer ameaça contra embarcações que cruzem o Mar Vermelho. Enquanto isso, autoridades do governo iemenita reconhecido internacionalmente declararam que estão preparadas para intensificar as operações contra os houthis caso o conflito avance.
*Com informações de agências internacionais.




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