Por Andrea Shalal
WASHINGTON, 23 Jul (Reuters) - Os dois terremotos que abalaram a Venezuela em 24 de junho causaram US$19,6 bilhões em danos físicos diretos, mas o custo da reconstrução pode chegar ao dobro desse valor ou mais, informou o Banco Mundial em uma avaliação preliminar divulgada nesta quinta-feira.
Os terremotos, de magnitude 7,2 e 7,5, mataram cerca de 5.000 pessoas, segundo o governo, destruindo edifícios residenciais, infraestrutura e edifícios não residenciais nas regiões do norte do país, incluindo a capital, Caracas. O governo estima que quase 17.000 pessoas ficaram feridas e quase 18.000 continuam desabrigadas.
O desastre, o terremoto mais mortal do país desde 1812, ocorreu em um momento em que as condições socioeconômicas já são precárias, com uma taxa de pobreza superior a 76%, informou o Banco Mundial. Cerca de 7,9 milhões de pessoas deixaram o país desde 2015.
“O terremoto causou danos físicos diretos estimados em US$19,6 bilhões, um valor impressionante para qualquer economia e que exige uma resposta coordenada”, disse Susana Cordeiro Guerra, vice-presidente do Banco Mundial responsável pela América Latina e pelo Caribe.
“Sem investimentos adicionais oportunos, o impacto negativo sobre a capacidade produtiva e os padrões de vida retardará o caminho para a recuperação”, disse ela.
O banco concluiu sua Estimativa Global Rápida de Danos (Grade, na sigla em inglês) utilizando modelagem sísmica remota, dados sísmicos locais, imagens de satélite e relatórios de danos fornecidos pelo governo, agências humanitárias e outros atores no local.
A estimativa não inclui o custo de “reconstruir melhor” por meio de melhorias estruturais ou atualização do tipo de construção. Esses custos, incluindo a remoção de escombros, podem chegar a duas a duas vezes e meia os custos de reposição, o que poderia elevar o valor total da conta para cerca de US$50 bilhões.
A estimativa também não inclui perdas econômicas diretas, com a oferta de mão de obra prevista para cair 1% este ano.
O banco informou que está trabalhando com o governo venezuelano, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) em uma avaliação mais abrangente dos custos de recuperação e reconstrução da Venezuela. Esses estudos geralmente levam meses, enquanto as avaliações do Grade são realizadas em semanas.
A avaliação mostrou que 47% dos danos ocorreram em edifícios residenciais, 27% em infraestrutura e 26% em edifícios não residenciais.
O banco afirmou que o ritmo da reconstrução será um fator decisivo para moldar a recuperação econômica e os resultados sociais do país. Sem um maior investimento público e privado, a capacidade produtiva e o PIB provavelmente permanecerão abaixo dos níveis anteriores ao terremoto até pelo menos 2036, afirmou o banco.
Novos empréstimos aumentariam o já elevado estoque de dívida da Venezuela, mas podem impulsionar um crescimento mais forte, o que fortaleceria gradualmente a posição fiscal do país, afirmou o banco.




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