Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 20 Mai (Reuters) - As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) exibem leves baixas ante os ajustes anteriores nesta manhã de quarta-feira, acompanhando o viés negativo dos rendimentos dos Treasuries no exterior, com investidores à espera da divulgação da ata do Federal Reserve, à tarde.
Às 10h22, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,015%, em baixa de 4 pontos-base ante o ajuste de 14,055% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,33%, com recuo de 3 pontos-base ante o ajuste de 14,356%.
No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 2 pontos-base, a 4,645%.
Na noite de terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a guerra com o Irã terminará "muito rapidamente", enquanto o vice-presidente norte-americano, JD Vance, disse que houve progresso nas negociações.
A expectativa de um acordo abriu espaço para a queda do petróleo Brent nesta manhã, ainda que o preço do barril se mantenha em níveis elevados, perto dos US$108.
Às 15h, as atenções dos investidores estarão voltadas para a divulgação da ata do último encontro de política monetária do Fed, que pode trazer pistas sobre o futuro dos juros nos Estados Unidos.
O mercado tem elevado as apostas de que, em função da continuidade da guerra, que mantém bloqueado o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, o Fed poderá ser obrigado a subir juros no fim do ano para conter a inflação. Atualmente a taxa de juros norte-americana está na faixa de 3,50% a 3,75%.
No Brasil, os investidores seguem vendo chances de mais um corte da taxa básica Selic em junho, mas este pode ser o último antes de uma interrupção no ciclo atual de flexibilização, em função dos impactos inflacionários da guerra no Oriente Médio.
Na última segunda-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 60% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic em junho, contra 35,5% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50% e 3% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.
Para a decisão seguinte, em agosto, os percentuais eram de 51,5% para manutenção, 33,5% para corte de 25 pontos-base e 10% para redução de 50 pontos-base.
No campo político, os investidores também seguem atentos aos desdobramentos do caso envolvendo a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso.
Na terça-feira, Flávio Bolsonaro admitiu ter se reunido pessoalmente com Vorcaro no fim de 2025, quando o banqueiro já havia passado por sua primeira prisão preventiva e estava utilizando uma tornozeleira eletrônica.




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