Início Mundo Taxas dos DIs têm altas firmes antes do Copom após Fed sinalizar alta de juros este ano
Mundo

Taxas dos DIs têm altas firmes antes do Copom após Fed sinalizar alta de juros este ano

Reuters

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 17 Jun (Reuters) - As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a quarta-feira com altas firmes no Brasil, superiores a 15 pontos-base em vários vencimentos, após o Federal Reserve passar indicações de que pode subir os juros nos Estados Unidos ainda em 2026.

Com o movimento, a curva a termo passou a precificar chance, ainda que minoritária, de aumento de juros também no Brasil em agosto. Na noite desta quarta-feira, com os mercados já fechados, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciará sua decisão sobre a taxa básica Selic, hoje em 14,50% ao ano.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,58%, em alta de 15 pontos-base ante o ajuste de 14,428% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,39%, com elevação de 19 pontos-base ante o ajuste de 14,196%.

A curva brasileira exibiu leves baixas minutos antes do anúncio do Fed, às 15h, mas virou para o positivo logo depois. Isso porque o banco central norte-americano manteve sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, como era largamente esperado, mas seus membros indicaram que esperam um aumento ainda este ano.

A perspectiva de juros mais altos nos EUA deu força aos rendimentos dos Treasuries e ao dólar ante outras divisas, o que se refletiu no Brasil.

“O DXY (índice do dólar) deu uma estourada, a curva americana abriu forte, os (rendimentos dos títulos de) dez anos abriram significativamente”, comentou logo após a decisão Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez.

“E se o Fed vai ficar mais ‘hawk’ (duro no combate à inflação), com sinalização de aumento de juros, o cenário no Brasil também fica mais adverso”, acrescentou.

Após marcar a mínima de 14,385% (-4 pontos-base) às 14h43, pouco antes do anúncio do Fed, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 14,585% (+16 pontos-base) às 16h24, após a decisão.

Com o movimento, a curva chegou a precificar mais de 20% de probabilidade de elevação da Selic no encontro de agosto do Copom.

Para a decisão da noite desta quarta-feira, as apostas do mercado seguiam indicando chances majoritárias de corte de 25 pontos-base da Selic, embora ainda haja alguma probabilidade de manutenção da taxa.

“O Fed retirou do mapa o corte (de juros) que ainda previa para 2026 e passou a sinalizar que uma alta é possível”, pontuou Cassio Viana de Jesus, diretor de Investimentos e Negócios da Pilar Capital, em comentário escrito. “Para o Copom, que decide na sequência, o ambiente ficou mais desconfortável: cortar a Selic hoje significa remar contra o banco central americano, com o custo de pressionar ainda mais o câmbio.”

Na prática, taxas de juros mais elevadas nos EUA podem impulsionar o dólar ante o real -- um fator que, em tese, pressionaria a inflação brasileira, exigindo uma Selic em níveis elevados.

Às 16h36, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha alta de 16 pontos-base, a 4,205%.

Pela manhã, o Banco Central informou que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um indicador de tendência para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, subiu 0,5% em abril na comparação com o mês anterior, segundo dados dessazonalizados, menos que o avanço de 0,6% projetado por economistas em pesquisa da Reuters.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 0,9%, enquanto no acumulado em 12 meses avançou 1,6%, conforme os números sem ajustes sazonais.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!