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Taxas dos DIs sobem após pesquisas indicarem empate técnico entre Flávio e Lula

Reuters

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 13 Out (Reuters) - Após o forte recuo da última semana, as taxas dos DIs fecharam a terça-feira pós-feriado com altas firmes, acima dos 20 pontos-base em vários vencimentos, após novos dados da corrida presidencial indicarem empate técnico no segundo turno.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,7%, com alta de 17 pontos-base ante o ajuste de 12,528% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,57%, com elevação de 23 pontos-base ante 12,345%.

A nova pesquisa BTG/Nexus mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 48% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão em empate técnico. O percentual de eleitores que não pretendem votar ou que votarão em branco ou nulo está em 5%. O levantamento foi realizado entre 10 e 12 de outubro.

Essa foi a primeira pesquisa realizada pela Nexus após o primeiro turno, quando Flávio ficou 1,87 ponto percentual à frente de Lula.

Na pesquisa PoderData/Aya, também divulgada nesta terça-feira, Flávio obteve 51% e Lula somou 49%, empatados dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual. O segundo turno acontece em 25 de outubro.

No mercado, boa parte dos agentes considera que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas -- ainda que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado propostas concretas de ajuste.

No limite, o equilíbrio das contas públicas abriria espaço para juros mais baixos, o que se refletiu na semana passada na redução de prêmios na curva de DIs (Depósitos Interfinanceiros) e no recuo do dólar ante o real.

Porém, nesta terça-feira pós-feriado de Nossa Senhora Aparecida no Brasil, as taxas dos DIs subiram ante os ajustes de sexta-feira, na esteira dos números menos favoráveis a Flávio.

Operador ouvido pela Reuters pontuou que os dados das pesquisas, assim como as manifestações em defesa de Lula no fim de semana prolongado, abriram espaço para a realização de parte dos lucros da semana passada.

A alta dos prêmios na curva brasileira ocorreu a despeito de, no exterior, os rendimentos dos Treasuries de longo prazo e o petróleo Brent estarem em baixa.

Às 16h32, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 3 pontos-base, a 5,211%.

Pela manhã, o boletim Focus do Banco Central -- o primeiro com projeções depois do primeiro turno -- mostrou uma mudança na expectativa dos economistas do mercado para a taxa básica Selic no fim deste ano, de 13,50% para 13,25%. Atualmente a Selic está em 13,75%. Já a projeção de inflação no fim de 2026 subiu de 5,01% para 5,22%.

Com a mudança na projeção da Selic, o Focus alinha-se ao que vinha sendo precificado pelo mercado na semana passada, depois do primeiro turno da eleição.

No fim da manhã, o governo Lula anunciou um pacote que inclui perdão integral de dívidas tributárias de 3,6 milhões de Microempreendedores Individuais (MEIs), compra de dívidas privadas desses trabalhadores pela União, repasse direto de recursos para investimento no negócio e dispensa de emissão de notas fiscais. O projeto, se aprovado pelo Congresso, vai perdoar R$12,6 bilhões em dívidas tributárias de MEIs.

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