Por Igor Sodre
SÃO PAULO, 29 Abr (Reuters) - As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) exibem alta nesta quarta-feira, enquanto os investidores aguardam o anúncio da decisão de juros do Banco Central previsto para o início da noite.
Às 10h40, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,835%, ante o ajuste de 13,743% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,745%, ante 13,631%.
A aposta majoritária do mercado é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzirá a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, em meio à cautela com a guerra entre Estados Unidos e Irã e seus impactos nos preços, que segue sem um fim à vista e elevando os preços do petróleo.
"A inflação mostra sinais de persistência e a atividade segue resiliente, o que reduz a margem para uma flexibilização mais agressiva da Selic", disse Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.
O anúncio da decisão do Copom será feito a partir das 18h30.
A decisão do Copom sai após o anúncio do Federal Reserve, que divulga sua decisão de juros às 15h, com expectativa de manutenção da taxa na atual faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, no que pode ser a última reunião de Jerome Powell como presidente da autarquia. Dessa forma, os agentes ficarão atentos à coletiva de imprensa do chairman às 15h30.
Na agenda local doméstica, mais cedo, dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que os preços ao produtor no Brasil subiram 2,37% em março, deixando para trás a queda de 0,16% de fevereiro, impulsionados pelo maior aumento em cerca de cinco anos dos preços da indústria extrativa, e sob o impacto do conflito no Oriente Médio. No acumulado em 12 meses, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) ainda registra queda, de 1,54%, mas essa é a menor taxa de deflação desde setembro de 2025.
Na geopolítica, o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu que o Irã "fique esperto logo" e assine um acordo, depois de dias de impasse nos esforços para acabar com o conflito e de uma reportagem na mídia noticiar que os EUA vão estender seu bloqueio aos portos iranianos. A falta de definição leva a mais um dia de alta no petróleo, com o Brent atingindo a maior cotação em um mês.
(Por Igor Sodré)



