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Taxas dos DIs caem com esperanças renovadas de acordo entre EUA e Irã

Reuters

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 24 Abr (Reuters) - Após subirem nas últimas três sessões, as taxas dos DIs fecharam a sexta-feira com leves baixas, em sintonia com o recuo dos Treasuries, em meio às esperanças renovadas durante o dia de que Irã e Estados Unidos voltem a negociar um acordo de paz.

No fim da tarde, a taxa do Depósitos Interfinanceiros (DI) para janeiro de 2028 estava em 13,64%, em baixa de 6 pontos-base ante o ajuste de 13,696% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,575%, com recuo de 8 pontos-base ante o ajuste de 13,653%.

Nas três sessões anteriores, as dúvidas sobre um possível acordo de paz entre EUA e Irã pressionaram a renda fixa brasileira, com a curva a termo exibindo prêmios maiores.

Nesta sexta-feira, porém, algumas notícias vindas do lado iraniano e do lado norte-americano, ainda que conflitantes, renovaram a expectativa de que os dois países possam se sentar à mesa para negociar.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, era esperado nesta sexta-feira na capital paquistanesa, Islamabad, para discutir propostas para reiniciar as negociações de paz com os EUA, mas fontes paquistanesas disseram que ele não deveria se encontrar com os negociadores norte-americanos no local.  

Já a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que o presidente Donald Trump planeja mandar os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner para negociações com Araqchi em Islamabad. A dupla partirá na manhã de sábado.

A expectativa de um desfecho para a guerra fez os rendimentos dos Treasuries se firmarem em baixa durante a tarde, enquanto o petróleo Brent reduziu os ganhos vistos mais cedo, ainda que seguisse acima dos US$105 o barril. 

No Brasil, as taxas dos DIs recuavam desde o início do dia, mas as notícias sobre uma possível negociação entre Irã e EUA reforçaram o movimento. Às 12h53, a taxa do DI para janeiro de 2035 atingiu a mínima intradia de 13,560%, em baixa de 9 pontos-base ante o ajuste da véspera. 

Na ponta longa da curva as taxas também cederam, mas ainda assim precificavam chances majoritárias de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortará na próxima semana em 25 pontos-base a Selic, hoje em 14,75% ao ano.  

Na quarta-feira pós-feriado -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 84% de probabilidade de corte de 25 pontos-base na próxima semana, contra 7% de chance de redução de 50 pontos-base. Em 6 de abril, um dia antes de EUA e Irã fecharem o cessar-fogo de duas semanas, depois prorrogado, os percentuais eram de 55% e 21,1%, respectivamente.

Mais do que a reunião da próxima semana do Copom, o mercado discute atualmente o que o colegiado fará na reunião seguinte, em junho. 

“Tenho dúvidas se ele (o Copom) faz mais uma (redução) de 25 (pontos-base) ou se para por aí”, comentou o economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares. “Mesmo que o conflito no Oriente Médio acabe hoje, já se contratou um desequilíbrio econômico no mundo que vai durar alguns trimestres.”

O avanço recente das expectativas de inflação no Brasil, conforme Olivares, diminui o espaço para os cortes da Selic, pelo menos até que haja maior clareza sobre o desfecho da guerra. 

No boletim Focus mais recente divulgado pelo BC, a mediana das expectativas de inflação para 2027 está em 3,99% e para 2028 em 3,60% -- acima das taxas de 3,80% e de 3,52% vistas um mês antes, respectivamente. O centro da meta de inflação perseguido pelo BC é de 3%. 

“Qual é a possibilidade para ele poder continuar a dizer que existe espaço para alguma calibragem?”, questionou Olivares, para quem ainda assim o BC tende a promover um corte de 25 pontos-base também em junho, como já começam a precificar os ativos.

As opções de Copom negociadas na B3 precificavam 39% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em junho, contra 31% de chance de redução de 50 pontos-base e 20% de possibilidade de manutenção, segundo os dados da quarta-feira.

Na próxima semana, os investidores estarão atentos à divulgação do IPCA-15 de abril, na terça-feira -- um dia antes da decisão do Copom.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries seguiam em baixa neste fim de tarde, em meio à expectativa de negociação entre EUA e Irã e após o Departamento de Justiça norte-americano ter encerrado a investigação contra o chair do Federal Reserve, Jerome Powell. 

Às 16h55, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 4 pontos-base, a 3,78%. O retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1 ponto-base, a 4,308%. 

(Edição de Pedro Fonseca)

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