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Taxas dos DIs caem após ata do BC indicar poucas chances de alta da Selic no curto prazo

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Taxas dos DIs caem após ata do BC indicar poucas chances de alta da Selic no curto prazo
Taxas dos DIs caem após ata do BC indicar poucas chances de alta da Selic no curto prazo

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 23 Jun (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a terça-feira em baixa, com investidores eliminando parte dos prêmios da curva a termo após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central indicar que a Selic não subirá no curto prazo e que buscará atingir a meta de inflação apenas no primeiro trimestre de 2028.

A queda das taxas futuras no Brasil foi influenciada ainda pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,545%, com baixa de 15 pontos-base ante o ajuste de 14,698% da sessão anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,425%, com queda de 10 pontos-base ante o ajuste de 14,52%.

A ata do Copom, que na semana passada cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, reiterou que a projeção de inflação do BC para o quarto trimestre de 2027 -- atual horizonte relevante -- está em 3,7%, acima do centro da meta de inflação, de 3%.

Ao mesmo tempo, o BC voltou a defender que atingir os 3% no quarto trimestre de 2027 demandaria ajustes agressivos da Selic e faria, na sequência, a inflação ficar abaixo desse nível por diversos trimestres consecutivos.

Em função disso, o Copom julgou como mais adequadas trajetórias de Selic “menos discrepantes”, com combinações de “momentos de pausa” e “retomada do ciclo de calibração” -- ou seja, de corte -- da taxa básica, com a inflação “convergindo para a meta no primeiro trimestre de 2028”.

Em reação, as taxas dos DIs de curto prazo se firmaram em baixa logo cedo, enquanto as longas chegaram a sustentar ganhos, mas migraram para o território negativo durante a tarde.

“O Copom deixou claro que... este patamar (da Selic) ainda é bastante restritivo e que vai fazer a convergência da inflação à meta. O mercado tinha bastante alta precificada (na curva), até em reuniões do Copom no curto prazo, e reduziu um pouco este cenário de alta”, comentou o chefe da mesa de operações do C6 Bank, Felipe Garcia, ao justificar a queda da curva brasileira.

“Pela ata, o BC não considera subir juros, ele considera parar e depois calibrar”, acrescentou.

Para o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, a ata elevou as chances de interrupção do atual ciclo de cortes da Selic já em agosto.

"Achava que o mais provável era um corte na próxima (reunião do Copom). Agora acho que o mais provável é a interrupção", afirmou Serrano, projetando uma parada dos cortes em agosto e uma retomada no quarto trimestre deste ano.

Entre muitos profissionais do mercado, no entanto, o discurso do BC não foi necessariamente positivo, por demonstrar preocupação com o cenário atual, mas insistir em uma convergência da inflação à meta somente em 2028.

"Entendo que o BC até quis ser hawk (duro com a inflação) na ata, mas acabou confirmando que segue dove (brando) e confortável em não entregar o seu mandato", disse o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, referindo-se à meta de inflação. Segundo ele, o BC “justificou o injustificável” no documento.

A baixa da curva a termo brasileira foi influenciada ainda pelo exterior, onde os rendimentos dos Treasuries caíram, em uma sessão de “risk-off” (fuga do risco), com investidores vendendo ações em Wall Street e comprando títulos norte-americanos.

Às 16h33, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 4 pontos-base, a 4,194%. Já o retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1 ponto-base, a 4,497%.

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