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Taxas de DIs sobem após Lula ampliar vantagem sobre Flávio Bolsonaro em pesquisa eleitoral

Reuters

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 16 Jun (Reuters) - Após cederem no início do dia, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a terça-feira com leves altas na maior parte da curva a termo, reagindo a uma nova pesquisa eleitoral CNT/MDA que apontou ampliação da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida eleitoral.

A pressão de alta na curva brasileira superou o viés de baixa gerado pelo exterior, onde os rendimentos dos Treasuries cediam, e por dados piores que o esperado do varejo brasileiro em abril.

No fim do dia, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,425%, em alta de 7 pontos-base ante o ajuste de 14,355% da sessão anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2029 marcava 14,405%, com elevação de 8 pontos-base ante 14,329%.

Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,195%, com recuo de 1 ponto-base ante o ajuste de 14,205%.

No início do dia, o recuo dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo no exterior, após Estados Unidos e Irã terem assinado um acordo de paz preliminar, abriram espaço para a queda das taxas dos DIs em toda a curva a termo.

O movimento teve ainda o respaldo dos números do varejo divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As vendas varejistas caíram 1,5% em abril ante março e subiram 1,0% em relação a abril do ano passado.

Ambos os resultados foram piores que as projeções de economistas ouvidos pela Reuters, de baixa de 0,60% na margem e de alta de 1,95% na comparação anual.

Os dados do varejo reforçaram a leitura de que o Banco Central pode ter espaço para cortar a taxa básica Selic mais uma ou duas vezes no curto prazo. Nas sessões mais recentes, em meio à queda do petróleo e ao avanço das negociações entre EUA e Irã, os investidores no Brasil já vinham reforçando as apostas em reduções da Selic, hoje em 14,50% ao ano.

No fim da manhã, no entanto, as taxas dos DIs passaram a ganhar força após divulgação de pesquisa mostrando que Lula abriu vantagem de 12,5 pontos sobre Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial de outubro.

Lula tem 49,3% das intenções de voto, ao passo que Flávio soma 36,8%, conforme pesquisa do instituto MDA, contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

No levantamento anterior, de abril, o atual presidente tinha 44,9%, ante 40,2% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ainda que a campanha eleitoral não tenha começado oficialmente, os mercados no Brasil -- em especial o de renda fixa -- têm reagido negativamente a algumas pesquisas que indicam chances maiores de Lula vencer a eleição. Por trás disso está a leitura de uma parcela dos agentes de que o controle fiscal seria mais frouxo em um novo governo Lula.

Operador ouvido pela Reuters pontuou que a pesquisa influenciou as taxas dos DIs, em um dia em que o ambiente exterior se mostrava acomodado, com queda dos rendimentos dos Treasuries.

Após marcar a mínima de 14,225% (-13 pontos-base) às 9h51, antes da pesquisa eleitoral, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 14,435% (+8 pontos-base) às 16h10, já na reta final da sessão.

A terça-feira foi ainda o primeiro dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que na noite de quarta-feira anunciará o novo patamar da Selic.

Em sessões recentes, em meio à queda do petróleo e ao avanço das negociações entre EUA e Irã, os investidores no Brasil vinham reforçando as apostas em cortes.

Na última sexta-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 68,75% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic na quarta-feira, contra 32% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,50%. Na quinta-feira, os percentuais eram de 49,05% e 44%, respectivamente.

Para o encontro seguinte do Copom, em agosto, a precificação de sexta indica 68,75% de probabilidade de corte de 25 pontos-base, contra 32% de chance de manutenção. Na quinta, eram 27% e 70%, nesta ordem.

“Esperamos que o Copom corte a Selic em 25 pontos-base... levando os juros a 14,25%. Diante da piora do balanço de riscos, o Comitê deve ajustar a comunicação, reconhecendo o aumento da incerteza e reduzindo o comprometimento com os passos futuros da política monetária”, ponderou o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, em comentário escrito.

Antes do anúncio do BC sobre a Selic, investidores estarão atentos à decisão do Federal Reserve sobre juros na tarde de quarta-feira. Mais do que isso, as atenções estarão voltadas para a primeira entrevista coletiva do novo chair do Fed, Kevin Warsh.

“A Casa Branca exerce pressão política por cortes de juros e, embora Warsh tenha sido recentemente vocal a favor de uma flexibilização monetária antes do conflito, ele deve seguir postura técnica -- vale lembrar que era considerado 'hawkish' (duro com a inflação) em sua primeira passagem pelo Fed, entre 2006 e 2011”, avaliou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Às 16h41, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 4 pontos-base, a 4,426%.

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