Por David Morgan
WASHINGTON, 23 Abr (Reuters) - Os republicanos do Senado dos Estados Unidos votaram nesta quinta-feira para avançar com um plano de US$70 bilhões para financiar a agência imigratória norte-americana ICE e a Patrulha de Fronteira para os próximos três anos, ignorando as exigências dos democratas por salvaguardas para os agentes de fiscalização da imigração e suas operações.
Os parlamentares votaram por 50 votos a 48 nas primeiras horas desta madrugada para adotar a resolução orçamentária não vinculante e enviá-la à Câmara dos Deputados dos EUA, dando um passo crucial em seus esforços para acabar com a paralisação parcial que atinge o Departamento de Segurança Interna desde meados de fevereiro.
Dois republicanos - os senadores Rand Paul e Lisa Murkowski - se opuseram à medida.
Se adotada pela Câmara, a resolução permitirá que os comitês do Congresso comecem a preencher os detalhes sobre como os US$70 bilhões serão gastos em uma legislação separada que o presidente norte-americano, Donald Trump, teria que sancionar. O novo financiamento deverá ser executado durante o mandato de Trump, que termina em janeiro de 2029.
Como os democratas se opõem firmemente à iniciativa de financiamento, os republicanos planejam empregar um procedimento raramente utilizado, conhecido como reconciliação orçamentária, na legislação separada, que permite que alguns projetos de lei relacionados ao orçamento contornem a oposição democrata no Senado.
Essas medidas exigem apenas uma maioria simples para aprovação na Casa de 100 membros, em vez da supermaioria usual de 60 votos ou mais. Os republicanos detêm uma maioria de 53 assentos a 47.
O financiamento para a maior parte do Departamento de Segurança Interna acabou há mais de nove semanas, quando os democratas pressionaram os republicanos e a Casa Branca a aceitar novas restrições ao ICE e à Patrulha de Fronteira, que operam sob a direção do Departamento.
Depois que dois cidadãos norte-americanos foram baleados fatalmente por agentes do ICE em Minneapolis, os democratas insistiram que o ICE e a Patrulha de Fronteira estivessem sujeitos às mesmas regras operacionais das forças policiais dos Estados Unidos, incluindo a exigência de que mandados judiciais fossem obtidos antes que os agentes pudessem entrar em residências particulares.
Mas semanas de negociações terminaram em um impasse.
Desde então, o Senado aprovou uma legislação para financiar as operações do Departamento de Segurança Interna que não o ICE e a Patrulha de Fronteira. Mas a medida foi paralisada na Câmara, onde os republicanos linha-dura exigiram financiamento para essas duas entidades também.
(Reportagem de David Morgan)



