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Russos não conseguem compensar possível crise de oferta de adubo por guerra no Irã, dizem fontes

Por Gleb Bryanski e Anastasia Lyrchikova

MOSCOU, 6 Mar (Reuters) - Os produtores de fertilizantes da Rússia, o maior exportador do mundo, não conseguirão compensar um possível déficit global ligado ao conflito entre os Estados Unidos e o Irã, pois sua capacidade de aumentar a oferta está limitada, disseram fontes do setor à Reuters na sexta-feira.

A guerra fechou as fábricas de fertilizantes no Oriente Médio e interrompeu gravemente as rotas de transporte pelo Estreito de Ormuz, canal para cerca de um terço do comércio global de fertilizantes.

A Rússia é responsável por cerca de um quinto do comércio global de fertilizantes, mas a capacidade limitada, os limites de exportação e os recentes ataques ucranianos às principais fábricas restringem sua capacidade de aumentar a produção, disseram as fontes.

Não se espera que novas fábricas voltadas para a exportação entrem em operação antes de 2027, de acordo com uma fonte que falou sob condição de anonimato.

"Os preços mais altos parecem ótimos no papel, mas os produtores russos estão encurralados pelas obrigações de fornecimento interno, especialmente antes da temporada de plantio", disse outra fonte do setor, que também falou sob condição de anonimato.

"E qualquer lucro inesperado provavelmente chamará a atenção do governo, que procura maneiras de aumentar as receitas orçamentárias."

Uma terceira fonte, que também falou sob condição de anonimato, disse que as empresas estão atualmente concentradas em atender à demanda doméstica.

"Pode ser possível cobrir, em um horizonte curto, a demanda não atendida sem o Oriente Médio, mas, a longo prazo, é um volume muito grande para ser substituído", acrescentou a fonte.

Um ataque de drones ucranianos a Dorogobuzh, uma das maiores fábricas de fertilizantes da Rússia, de propriedade da grande produtora Acron, em 25 de fevereiro, paralisou temporariamente cerca de 5% da capacidade geral de produção do país e matou sete pessoas.

Dorogobuzh é responsável por 11% da produção de nitrato de amônio da Rússia e 9% de sua produção de fertilizantes NPK, uma mistura de nitrogênio, fósforo e potássio.

A Rússia, que também é o maior exportador de trigo do mundo, introduziu restrições à exportação de fertilizantes em 2021 para garantir uma oferta suficiente no mercado interno.

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