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Rússia pede reservas de alimentos conjuntas com Brics para conter os riscos da crise no Oriente Médio

Reuters
Rússia pede reservas de alimentos conjuntas com Brics para conter os riscos da crise no Oriente Médio
Rússia pede reservas de alimentos conjuntas com Brics para conter os riscos da crise no Oriente Médio

Por Gleb Bryanski

MOSCOU, 13 Abr (Reuters) - A Rússia, o maior exportador de trigo do mundo, deve criar reservas de alimentos conjuntas com outros membros do Brics e antigos vizinhos soviéticos para combater os riscos à segurança alimentar global decorrentes do conflito no Oriente Médio, disse uma autoridade graduada de segurança russa nesta segunda-feira.

Cerca de metade dos alimentos do mundo é cultivada com o uso de fertilizantes, enquanto um terço do comércio global de fertilizantes costumava passar pelo Estreito de Ormuz, uma estreita via de navegação ao longo da costa do Irã que está praticamente fechada desde o início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

"Para garantir a segurança alimentar, é muito importante expandir a cooperação com países amigos, principalmente os Estados membros da União Econômica Eurasiática e do Brics, inclusive por meio da criação de reservas conjuntas de alimentos", disse Alexander Maslennikov, vice-secretário do Conselho de Segurança da Rússia, segundo agências de notícias locais.

Presidido pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, o Conselho de Segurança inclui autoridades de alto escalão e ajuda a moldar as decisões do Kremlin sobre as principais questões de segurança nacional. Putin deve se reunir com o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, membro do Brics, no Kremlin, nesta segunda-feira, com a segurança alimentar provavelmente em pauta.

Maslennikov disse que a crise do Oriente Médio representa sérios riscos à segurança alimentar global. Se a escassez global de fertilizantes persistir até o início do verão, a produtividade das principais culturas poderá cair pela metade, disse ele, alimentando o maior aumento da inflação mundial de alimentos dos últimos anos.

Ele acrescentou que o número de pessoas famintas em todo o mundo pode aumentar para um recorde de 673 milhões.

O Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e o Programa Mundial de Alimentos da ONU alertaram na semana passada que os aumentos acentuados nos preços do petróleo, do gás natural e dos fertilizantes, desencadeados pela guerra no Oriente Médio, inevitavelmente causarão o aumento dos preços dos alimentos e a insegurança alimentar.

A Rússia é um grande produtor e exportador de fertilizantes, mas não tem capacidade para aumentar significativamente a produção este ano. O país também está buscando aumentar as exportações agrícolas em 50% até 2030.

Maslennikov disse que a situação atual, embora represente riscos para a segurança alimentar da própria Rússia, também criou oportunidades de longo prazo para os produtores agrícolas do país.

"A Rússia está em uma posição forte para aumentar as exportações de alimentos para os países do Oriente Médio, bem como para a Ásia, África e América Latina", disse ele.

O Egito, membro do Brics, é o maior importador de trigo russo, enquanto a Rússia também exporta alimentos para a China e a Índia, as duas maiores economias do bloco. A União Econômica Eurasiática, liderada pela Rússia, também inclui o exportador de grãos Cazaquistão, bem como Belarus, Armênia e Quirguistão.

(Reportagem de Gleb Bryanski)

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