SÃO PAULO, 30 Out (Reuters) - A produção de etanol de milho no centro-sul do Brasil está abaixo do esperado na safra 2026/27, com o setor utilizando 49,6% de sua capacidade, indicou nesta sexta-feira a consultoria StoneX, citando ainda que nove usinas aguardam autorização para início da operação.
Segundo a consultoria, o centro-sul tem potencial atual para cerca de 12,7 bilhões de litros de etanol ao ano.
Trata-se de "uma frustração das expectativas do avanço do setor, sendo que o mercado esperava uma produção maior do centro-sul já na safra 2026/27", disse análise assinada por Letícia Corrêa e Raphael Bulascoschi.
Com relação às unidades produtoras do Norte e Nordeste, o índice de uso da capacidade está de 63,3%, segundo o relatório.
"É válido ressaltar que existem nove usinas com obras concluídas -- sejam novas instalações ou ampliação de capacidade -– aguardando autorização para início de operação junto à ANP (agência reguladora), de modo que o 'ramp-up' esperado para o aumento da capacidade de etanol de milho nessa safra está sendo mais demorado do que previsto inicialmente", afirmaram os analistas da StoneX.
A StoneX projeta 10,5 bilhões de litros de etanol de milho na região centro-sul nesta safra.
A consultoria apontou outros motivos para o ritmo mais lento da produção.
"Outro fator que pode estar contribuindo para um crescimento mais lento é a demanda abaixo das expectativas no início de 2026, cenário que passou a se reverter em julho...", disse.
Com a demanda fraca no fim da safra 2025/26 e no início da seguinte, os produtores tiveram menos estímulo para ampliar a produção, afirmou a StoneX.
Por outro lado, os analistas mencionam uma potencial escassez de etanol anidro, com a elevação da mistura obrigatória na gasolina para 32% e o avanço das vendas de gasolina C (com mistura) no início do ano.
A StoneX apontou estoques no centro-sul 13% abaixo da safra anterior, que já havia terminado com estoques "estressados", em momento em que a moagem de cana-de-açúcar despencou devido a chuvas excessivas, colaborando para uma redução da produção do biocombustível na primeira quinzena de outubro, conforme dados divulgados pelo Ministério da Agricultura.
(Por Roberto Samora; Edição de Eduardo Simões)
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