Por Will Dunham
WASHINGTON, 6 Out (Reuters) - Na mitologia antiga, a fênix era uma ave milagrosa com um ciclo de vida e morte, que perecia nas chamas apenas para renascer das cinzas. Astrônomos descobriram agora um mundo que pode ser legitimamente chamado de planeta fênix.
Pesquisadores afirmaram que esse exoplaneta — como são chamados os planetas além do nosso sistema solar — parece ter se formado a partir de material ejetado para o espaço durante os últimos momentos de vida de uma estrela um pouco maior que o Sol e agora orbita o remanescente estelar altamente compacto que ficou para trás, chamado de anã branca.
Ele é classificado como um planeta de segunda geração, o que significa que não se formou a partir do disco giratório de material que circunda uma estrela recém-nascida, como aconteceu com a Terra e outros planetas de primeira geração, mas sim a partir dos resíduos de uma estrela condenada.
“Este é o primeiro exemplo de um planeta se formando em torno de uma anã branca”, disse Jamie Williams, doutorando em astrofísica na Universidade de Warwick, na Inglaterra, e autor principal do estudo publicado esta semana na revista Nature Astronomy.
A anã branca está localizada a cerca de 250 anos-luz da Terra, perto da constelação de Cetus. Um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, 9,5 trilhões de km.
O planeta é um gigante gasoso, talvez um pouco mais massivo que Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar. Ele orbita a anã branca a cada 4,4 dias, a apenas 4% da distância entre a Terra e o Sol. Está tão próximo que a radiação ultravioleta extrema da anã branca, que está em brasa, está fazendo com que a atmosfera externa do planeta se evapore, com uma parte caindo na anã branca.
O padrão químico do planeta aponta para sua origem de segunda geração. Ele é rico em nióbio, cobre e zinco, o tipo de elementos que certas estrelas moribundas expelem quando se expandem em seus últimos momentos, indicando que o planeta se formou a partir de um disco desse material ejetado que circundava o cadáver estelar.
“Nos mitos, uma fênix renasce de suas próprias cinzas. No caso deste planeta, ele renasce das cinzas de sua estrela-anfitriã moribunda e, portanto, o sistema planetário renasce. Um planeta de segunda geração é definido como aquele que nasce após a morte de sua estrela-anfitriã — neste caso, depois que ela se tornou uma anã branca”, disse Williams.
Os pesquisadores utilizaram dados dos telescópios orbitais Hubble, TESS e FUSE e esperam usar o Telescópio Espacial James Webb para confirmar suas conclusões.
Um pequeno número de possíveis planetas de segunda geração já havia sido identificado orbitando pulsares, um tipo raro de estrela de nêutrons, outro tipo de remanescente estelar.
“As anãs brancas são muito mais comuns do que os pulsares, e mais de 95% das estrelas da Via Láctea evoluirão para se tornarem anãs brancas. Portanto, haveria muito mais planetas de segunda geração em torno de anãs brancas do que em torno de pulsares”, declarou Williams.
Embora o planeta recém-descoberto seja inóspito para a vida, outro planeta de segunda geração poderia ser potencialmente habitável.
“Se um gigante gasoso se formasse ao redor de uma anã branca, então um planeta rochoso também poderia se formar. As anãs brancas esfriam de maneira previsível com o tempo e, à medida que ficam mais frias, seu resfriamento desacelera. Portanto, se um planeta rochoso de segunda geração se formasse próximo o suficiente da anã branca, ele poderia permanecer na zona habitável por bilhões de anos”, disse Williams.
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