Por Nicole Jao
NOVA YORK, 24 Ago (Reuters) - Os preços do petróleo caíram mais de US$2 por barril nesta segunda-feira, à medida que os investidores realizaram lucros após os recentes ganhos e não deram importância às novas sanções dos EUA contra o Irã.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com queda de US$2,22, ou 2,35%, a US$92,17, enquanto o petróleo West Texas Intermediate dos EUA caiu US$2,05 por barril, ou 2,35%, para US$85,01.
O secretário do Treasury, Scott Bessent, anunciou na segunda-feira uma ampliação das sanções secundárias que podem ser impostas a entidades e países que mantêm laços comerciais com o Irã em todo o mundo, à medida que Washington intensifica significativamente a pressão econômica sobre Teerã, com a guerra se aproximando da marca de seis meses. Isso ocorreu após as ameaças de Trump de "guerra econômica e isolamento em escala sem precedentes" contra Teerã na semana passada.
"Não houve muitas novidades no comentário de Bessent, além do que já havia sido divulgado com antecedência", disse Pavel Molchanov, analista de estratégia de investimentos da Raymond James. O mercado de petróleo, que havia se recuperado bastante na semana passada, registrou realização de lucros hoje, acrescentou ele.
Ambos os contratos registraram um segundo ganho semanal consecutivo na semana passada, subindo mais de 5%.
"Será que a Casa Branca conseguirá propor algo que nunca tenha sido tentado antes e que tenha um efeito muito mais poderoso sobre a economia iraniana? Só acreditaremos quando o virmos", disse Molchanov.
"A verdadeira questão agora é até que ponto Washington está disposta a aplicar sanções secundárias de forma agressiva contra os parceiros comerciais restantes do Irã", disse Jorge Leon, chefe de análise geopolítica da Rystad Energy. "A menos que a China reduza significativamente suas compras, o impacto adicional sobre as receitas do petróleo iraniano pode ser relativamente limitado", acrescentou ele.
O Irã havia condenado os planos dos EUA de anunciar novas sanções, e o presidente Masoud Pezeshkian havia pedido uma solução diplomática. O chefe do Exército do Paquistão estava em visita a Teerã na segunda-feira para negociações de mediação, antes do anúncio dos EUA.
Os embarques de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota que já transportava um quinto do abastecimento global, continuaram restritos.
Menos de 20 navios de carga transitaram pelo Estreito de Ormuz no fim de semana, segundo dados de transporte divulgados na segunda-feira, já que os bloqueios iranianos e norte-americanos restringem o tráfego por esse ponto de estrangulamento para o transporte de energia.
O presidente-executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanne, disse que a petrolífera estava transportando petróleo de forma lucrativa pelo Estreito de Ormuz, com os custos mais altos de transporte sendo mais do que compensados por descontos significativos oferecidos pelos produtores de petróleo.
A Somo, do Iraque, e a QatarEnergy ofereceram petróleo para carregamento dentro do estreito em licitações, segundo operadores.
"O preço do Brent a US$93 por barril, em vez de US$120-150, nos indica que há petróleo suficiente fluindo pelo Estreito de Ormuz e do Golfo Pérsico em geral", disse o analista do SEB, Bjarne Schieldrop, à Reuters, acrescentando que um ponto de inflexão poderia ocorrer se o Irã decidisse realmente fechar o Estreito de Ormuz com foguetes e drones.
Analistas do Morgan Stanley elevaram suas previsões para o Brent, projetando um pico de US$100 por barril no quarto trimestre.
A Agência Internacional de Energia não está discutindo, no momento, uma segunda liberação de petróleo das reservas estratégicas, afirmou seu diretor, Fatih Birol, na segunda-feira.



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