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Pelo menos 72 garimpeiros sudaneses morrem em ataque aéreo, diz organização

Reuters

12 Out (Reuters) - Pelo menos 72 garimpeiros morreram em um ataque aéreo no norte do Sudão, próximo à fronteira com o Egito, informou a organização de defesa dos direitos humanos Emergency Lawyers, no segundo incidente desse tipo nos últimos meses.

A Emergency Lawyers atribuiu a responsabilidade pelo ataque à Força Aérea egípcia, afirmando que ele ocorreu no sábado.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, as Forças Armadas egípcias afirmaram que estava em andamento a última fase de sua campanha contra a mineração ilegal de ouro no sul do Egito, após o lançamento de panfletos de advertência sobre “elementos criminosos”.

As Forças Armadas não fizeram nenhuma referência ao ataque aéreo no norte do Sudão nem às mortes dos mineiros.

A campanha, lançada em junho, tinha como objetivo “impor a plena autoridade do Estado dentro do território egípcio e proteger suas capacidades e recursos nacionais”, acrescentou o comunicado.

O Ministério das Relações Exteriores do Egito não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre o ataque aéreo, mas nesta segunda-feira o ministro das Relações Exteriores, Badr Abdelatty, disse no X que havia “reafirmado” com seu homólogo sudanês “nossos laços fraternos históricos e o compromisso com a coordenação e consulta contínuas”.

O governo sudanês, liderado por militares, afirmou nesta segunda-feira que o incidente ocorreu em uma área de fronteira entre o Sudão e o Egito e que estava investigando o caso. “É importante tratar esse incidente com seriedade, garantindo o esclarecimento dos fatos, bem como a proteção e o respeito às fronteiras.”

O governo sudanês afirmou que líderes sudaneses e egípcios entraram em contato imediatamente após o ataque, mas evitou culpar diretamente o Egito.

Dois oficiais de segurança egípcios afirmaram que o ataque tinha como objetivo pôr fim a um estado de “caos” ao longo da fronteira e aos esforços de grupos egípcios e sudaneses para assumir o controle de áreas de mineração.

Imagens compartilhadas nas redes sociais e por grupos locais de direitos humanos, mas não verificadas pela Reuters, mostravam dezenas de corpos espalhados entre os escombros e outros envoltos em mortalhas, além de mineiros relatando um ataque aéreo na área.

A organização Emergency Lawyers afirmou que tal ataque transfronteiriço viola o direito internacional.

O norte do Sudão tem visto um afluxo de garimpeiros e operações improvisadas de extração de ouro desde que a guerra civil no país abalou os meios de subsistência tradicionais. O ouro tornou-se uma fonte crítica de receita para ambos os lados do conflito, e especialistas e participantes do setor afirmam que grande parte do metal é contrabandeada para o vizinho Egito.

Ataques aéreos em junho tiveram como alvo um grupo suspeito de mineração ilegal de ouro, contrabando e tráfico de medicamentos, matando um número não especificado de pessoas, afirmaram autoridades militares egípcias na época, acrescentando que o ataque ocorreu em território egípcio.

A fronteira entre o Egito e o Sudão é porosa e é objeto de disputa em duas regiões ricas em minerais conhecidas como Halayeb e Shalateen.

A guerra entre o exército do Sudão e as Forças de Apoio Rápido, um grupo paramilitar, tem registrado um aumento na frequência de incidentes com grande número de vítimas, especialmente à medida que a guerra com drones se torna a principal forma de combate.

Na sexta-feira, cerca de 31 pessoas foram mortas em um ataque com drones a um campo de deslocados em uma área controlada pelo exército no estado do Nilo Azul, no Sudão, uma das linhas de frente da guerra, segundo as Nações Unidas.

(Por Nafisa Eltahir, Khalid Abdelaziz e Ahmed Shalaby)

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