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Paraguai vive impasse político com julgamento de impeachment de Peña após colapso de banco

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Paraguai vive impasse político com julgamento de impeachment de Peña após colapso de banco
Paraguai vive impasse político com julgamento de impeachment de Peña após colapso de banco

Por Daniela Desantis e Lucinda Elliott

ASUNÇÃO, 6 Nov (Reuters) - O Senado do Paraguai abriu nesta sexta-feira sessão extraordinária no âmbito do processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, o que aumentou a incerteza quanto à liderança do país após ele ter renunciado em conexão com o colapso de um banco local.

Peña apresentou sua renúncia na quinta-feira, após a falência do banco Ueno, com o qual mantinha laços comerciais no passado. Sua renúncia ainda não foi formalmente aceita, deixando o país em um limbo político enquanto o processo de impeachment segue em andamento.

O vice-presidente Pedro Alliana, que deve assumir a Presidência no lugar de Peña, ainda não havia tomado posse até o início da sexta-feira.

A equipe jurídica de Peña havia solicitado uma prorrogação de 72 horas para apresentar sua defesa, o que foi rejeitado pelo Senado. O presidente seria notificado de que foi intimado a comparecer perante o Senado nesta sexta-feira.

Na noite de quinta-feira, os parlamentares, atuando como promotores, apresentaram formalmente as acusações que fundamentam o impeachment de Peña. Os parlamentares da oposição argumentaram que qualquer votação final deve respeitar o direito do presidente à defesa antes que o processo siga adiante.

Segundo as acusações de impeachment, Peña cometeu conflitos de interesse, manipulou a supervisão regulatória, desviou fundos de previdência e participou de um encobrimento institucional envolvendo o banco central.

A crise política se espalhou pelas ruas, com manifestantes retornando ao centro de Assunção na noite de quinta-feira exigindo responsabilização pelo colapso do Ueno e uma indenização mais rápida para os depositantes cujas economias permanecem congeladas.

Alguns correntistas começaram a recuperar seu dinheiro na noite de quinta-feira.

As perspectivas de uma longa transição política também chamaram a atenção dos investidores e do Brasil, o maior parceiro econômico do Paraguai. Embora os órgãos reguladores tenham procurado tranquilizar os mercados garantindo a maior parte dos depósitos e contendo os riscos para o sistema financeiro como um todo, os investidores estão atentos para ver se a turbulência política abala a confiança nas instituições do Paraguai.

“Os protestos contra o congelamento das poupanças se intensificarão se a saída de Peña parecer garantir impunidade a ele ou se os pagamentos aos depositantes e aposentados forem paralisados”, disse Mariano Machado, analista-chefe para as Américas da Verisk Maplecroft.

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