PARIS, 5 Set (Reuters) - Um plano acordado entre o partido populista britânico Reform UK e o francês Reunião Nacional, com o objetivo de enviar de volta à França os requerentes de asilo que chegam ao Reino Unido em pequenas embarcações, foi alvo de críticas neste sábado por parte de vários candidatos às eleições presidenciais francesas.
Um memorando de entendimento assinado na sexta-feira pelo líder do Reform UK, Nigel Farage, e pelo presidente da Reunião Nacional (RN), Jordan Bardella, deve entrar em vigor caso os dois partidos cheguem ao poder.
Édouard Philippe, ex-primeiro-ministro e candidato conservador à presidência pelo partido Horizons nas eleições de 2027, disse que o pacto representou uma “reviravolta” para o RN.
“Ver Jordan Bardella assinar um acordo que prevê o envio de volta à França de migrantes interceptados no Canal da Mancha, isso nós não esperávamos”, disse ele, questionando se a candidata presidencial do partido, Marine Le Pen, estava “na mesma linha” que Bardella.
O ex-primeiro-ministro e líder do partido de centro-direita Renascimento, Gabriel Attal, disse que o pacto demonstrava a “submissão” da Reunião Nacional a interesses estrangeiros.
“Estamos atingindo níveis de despreparo e submissão quase inéditos na história recente da Reunião Nacional. Isso mostra que sua política externa é de grande submissão a outras potências”, disse Attal.
O líder da extrema esquerda e candidato à presidência, Jean-Luc Mélenchon, disse no X que, se o acordo se concretizar, “nosso país se tornaria o guardião dos ingleses. Não votar em Le Pen em 2027 se torna uma questão de dignidade nacional”.
O candidato de centro-esquerda Raphaël Glucksmann, do partido Place Publique, disse à BFM TV: “Essa é a marca registrada da Reunião Nacional: fraqueza quando se trata de defender os interesses da França. Veja os votos deles no Parlamento Europeu... Nós é que somos os verdadeiros patriotas.”
Bardella rejeitou as críticas. “Portanto, acolho com satisfação esse acordo e, se amanhã estivermos no poder, assim como Nigel Farage, faremos tudo ao nosso alcance para conter a imigração tanto na França quanto na Inglaterra”, afirmou.
(Reportagem de Elizabeth Pineau e Valentina Za; redação de Dominique Vidalon)



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