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"Não somos um pedaço de gelo", diz primeiro-ministro da Groenlândia em reação a Trump

Reuters
"Não somos um pedaço de gelo", diz primeiro-ministro da Groenlândia em reação a Trump
"Não somos um pedaço de gelo", diz primeiro-ministro da Groenlândia em reação a Trump

Por Stine Jacobsen

COPENHAGUE, 9 Abr (Reuters) - O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, conclamou os aliados da Otan a se unirem para defender o direito internacional ao se opor aos últimos comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a ilha do Ártico.

Trump expressou sua frustração com a relutância da Otan em se envolver na guerra contra o Irã que ele lançou com Israel, dizendo em uma publicação nas redes sociais que a aliança militar não estava presente quando necessário e não estaria presente "se precisarmos dela novamente. LEMBRE-SE DA GROENLÂNDIA, AQUELE PEDAÇO DE GELO GRANDE E MAL ADMINISTRADO".

Nielsen rejeitou a caracterização.

"Não somos um pedaço de gelo. Somos uma população orgulhosa de 57.000 pessoas, trabalhando todos os dias como bons cidadãos globais em total respeito a todos os nossos aliados", disse ele à Reuters.

Nielsen destacou a importância de manter a ordem geopolítica do pós-guerra, incluindo a aliança de defesa da Otan e a lei internacional respeitada globalmente.

"Essas coisas estão sendo desafiadas agora, e acho que todos os aliados devem se unir para tentar mantê-las. Espero que isso aconteça", disse ele.

CONVERSAÇÕES DIPLOMÁTICAS CONTINUAM, MAS GROENLÂNDIA DESCONFIA DOS OBJETIVOS DOS EUA

Aliados da Otan já estavam se esforçando no início deste ano para encontrar maneiras de manter a aliança unida depois que Trump reviveu seu esforço para tomar a Groenlândia da Dinamarca, um membro da Otan.

Em janeiro, a Casa Branca disse que Trump estava avaliando o uso de força militar na Groenlândia, levando a Alemanha, a França e outras nações europeias a enviar pequenos contingentes de tropas para a ilha em uma mensagem de solidariedade e dissuasão.

Posteriormente, Trump recuou após conversas com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, declarando que "a estrutura de um futuro acordo" havia sido formada e transferindo o conflito da Groenlândia para uma via diplomática. Sua última publicação nas redes sociais sobre a ilha ocorreu após uma nova reunião com Rutte na quarta-feira.

No final de janeiro, Groenlândia, Dinamarca e EUA iniciaram conversações diplomáticas e Nielsen disse que elas ainda estavam em andamento, com mais reuniões agendadas.

Trump e seus apoiadores têm insistido que os EUA precisam da Groenlândia para se defender das ameaças da Rússia e da China no Ártico e que a Dinamarca não pode garantir sua segurança.

Os EUA já têm uma base na ilha e a capacidade de expandir sua presença lá de acordo com um tratado de 1951.

"Seria estranho, quando todas as partes querem discutir o aumento da cooperação em defesa, não levar em conta esse acordo (de 1951)", disse Nielsen, recusando-se a entrar em mais detalhes sobre o que estava sendo discutido nas negociações.

Apesar das conversas, Nielsen deixou claro que não acredita que Trump tenha abandonado suas ambições em relação à ilha: "Não vejo que seu desejo de assumir ou controlar a Groenlândia tenha sido retirado da mesa", disse ele.

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