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'Não sabemos quem lidera o Irã; nem eles sabem', diz Trump

Estadão

Após cancelar a viagem de seus enviados Steve Witkoff e Jared Kushner a Islamabad, no Paquistão, onde deveria ocorrer uma nova rodada de negociações de paz com o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na tarde deste sábado, 25, a jornalistas, que pode falar com os iranianos por telefone, mas que não sabe quem são os líderes do país persa atualmente.

"Eles podem nos ligar a qualquer momento que quiserem", afirmou. "De novo, nós temos todas as cartas. Eles praticamente não têm mais forças militares. Não têm mais líderes. Não sabemos quem são os líderes. Ninguém sabe quem é o líder; acho que eles nem sabem quem são os líderes, o que é muito importante", declarou.

As declarações de Trump foram concedidas a imprensa antes do jantar com Correspondentes da Casa Branca no Hotel Washington Hilton, que foi interrompido após tiroteio.

Os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro, mataram várias lideranças do Irã, incluindo o líder supremo Ali Khamenei. Seu filho, Mojtaba Khamenei, foi escolhido como sucessor, mas não apareceu publicamente deste então e estaria se recuperando de graves ferimentos causados pelos bombardeios. Ele teria delegado as decisões para generais da Guarda Revolucionária e aliados.

Trump acrescentou que acha o Paquistão, que atua como mediador entre EUA Irã, "fantástico", e elogiou as autoridades do país envolvidas nas negociações, o marechal de campo, Asim Munir, e o primeiro-ministro, Shehbaz Sharif. "Eles gostariam de ver algo acontecer, mas nós não vamos viajar 15, 16 horas para ter uma reunião com pessoas de quem ninguém nunca ouviu falar antes", declarou.

O anúncio do cancelamento da viagem dos representantes dos EUA ocorreu após o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, encerrar a visita que fazia ao Paquistão. No entanto, o chanceler deve retornar a Islamabad neste domingo, 26.

Trump disse também que vai lidar com quem quer que esteja no comando do Irã. "Esse acordo todo não é complicado: o Irã não pode ter uma arma nuclear", declarou ele, ressaltando que teria recebido propostas de acordo do país persa. "Eles ofereceram muita coisa, mas não o suficiente", afirmou.

Na entrevista coletiva que deu na Casa Branca após o tiroteio no Washington Hotel, onde participava de um jantar, na noite de sábado Trump voltou ao assunto e disse que se o Irã tivesse armas nucleares, as usaria "sem hesitação". "Tudo será insignificante em comparação com isso, se eles algum dia receberem uma arma nuclear, e eles a usarão também", declarou.

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