Johanesburgo, 9 Jul (Reuters) - Grupos de sul-africanos contrários à imigração capturaram estrangeiros em suas casas em Johanesburgo nesta quinta-feira e os entregaram à polícia, em um agravamento dos protestos que têm semeado o medo nas comunidades e prejudicado as relações com alguns países.
No bairro de Alexandra, em Johanesburgo, um repórter da Reuters viu manifestantes arrombando portas e entrando em casas onde acreditavam que imigrantes sem documentos estivessem escondidos.
Eles escoltaram as pessoas até viaturas policiais, de onde foram levadas, incluindo uma mulher e uma criança pequena do Malawi. Outro homem que foi detido pelos manifestantes disse à Reuters que estava no país legalmente.
“Sou portador de uma ZEP”, disse o cidadão do Zimbábue, Total Mhlanga, referindo-se à Permissão de Isenção do Zimbábue (ZEP), que permite que dezenas de milhares de cidadãos vivam e trabalhem na África do Sul.
Em Soweto, manifestantes anti-imigrantes marcharam empunhando paus e bandeiras, com planos de sair em busca de imigrantes sem documentos. Vários dos panfletos dos protestos desta quinta-feira anunciavam uma “marcha pacífica” seguida de uma “campanha de porta em porta”. Outra marcha ocorreu em Durban, na costa leste.
A África do Sul, onde milhões de pessoas estão desempregadas, tem visto um aumento no sentimento anti-imigrante nos últimos meses, culminando em protestos em todo o país em 30 de junho, prazo informal estabelecido para que os imigrantes sem documentos deixassem o país.
A líder mais proeminente do movimento, a ex-apresentadora de rádio Jacinta Ngobese-Zuma, afirmou naquele dia que os protestos ocorreriam todas as quintas-feiras até que as exigências fossem atendidas.
Seu grupo, “March and March”, tem retratado os imigrantes sem documentos como a fonte dos problemas econômicos da África do Sul e exige controles de fronteira mais rígidos, deportação em massa e que escolas e centros de saúde atendam primeiro aos sul-africanos.
“Estamos indo de porta em porta para retirar os estrangeiros”, disse Bongani Msomi, um líder comunitário, durante a marcha em Alexandra.
O presidente Cyril Ramaphosa alertou contra a prática de usar os imigrantes como bodes-expiatórios para problemas profundamente enraizados, e seu governo tem repetidamente informado aos cidadãos que eles não têm o direito de assumir por conta própria a fiscalização da imigração.
A polícia intensificou as prisões de migrantes sem documentos em resposta aos protestos e também mobilizou policiais durante as recentes marchas para garantir a segurança. Um porta-voz da polícia de Johanesburgo não estava disponível imediatamente para comentar as ações dos manifestantes ou dos policiais no local.
O governo do Malawi informou nesta quinta-feira que mais de 38 mil de seus cidadãos haviam retornado da África do Sul nas últimas semanas, como parte de um grande esforço de repatriação devido a preocupações com a segurança. Mais de 60 mil também retornaram ao vizinho Zimbábue.
(Reportagem de Siyabonga Sishi; reportagem adicional de Frank Phiri)



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