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Manifestantes impedem marcha da Ordem de Orange por área católica na Irlanda do Norte

Reuters
Manifestantes impedem marcha da Ordem de Orange por área católica na Irlanda do Norte
Manifestantes impedem marcha da Ordem de Orange por área católica na Irlanda do Norte

PORTADOWN, Irlanda do Norte, 27 Set (Reuters) - Cerca de 2.000 manifestantes impediram que um desfile protestante atravessasse a área católica de uma cidade da Irlanda do Norte neste domingo, criando um impasse em que os dois lados recusavam-se a recuar, enquanto a polícia, posicionada entre eles, mantinha distância.

A tentativa de realizar o desfile  pela cidade de Portadown ocorreu após o fim de uma proibição de quase 30 anos sobre o controverso trajeto, mas os participantes foram impedidos por multidões, incluindo a primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, do partido nacionalista irlandês Sinn Fein.

Os manifestantes, entre os quais também estava a líder do Sinn Fein, Mary Lou McDonald, se reuniram sob chuva na Garvaghy Road durante a madrugada, após o Tribunal Superior de Belfast, em uma sessão realizada tarde da noite, indeferir um pedido dos moradores para impedir o desfile.

APELOS À CALMA

As tentativas anuais da Ordem Orange, de origem protestante, de marchar pela área provocavam agitação em toda a região administrada pelos britânicos antes que o trajeto fosse proibido em 1998, mesmo ano em que o Acordo da Sexta-Feira Santa pôs fim, em grande parte, a três décadas de violência.

“Isso é loucura”, disse McDonald a jornalistas na rua, um enclave católico na cidade predominantemente protestante de Portadown. “Na verdade, trata-se de um tratamento primitivo para qualquer comunidade no ano de 2026. É intolerável.”

Os líderes da Irlanda e do Reino Unido, que são cogarantes do acordo de paz, pediram calma.

“Houve grandes avanços na Irlanda do Norte e não queremos ver as coisas retrocederem”, disse o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham à BBC. 

O primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin, compartilhou da preocupação de Burnham, mas também considerou “incompreensível” e “errada” a decisão da Comissão de Desfiles da Irlanda do Norte de permitir o desfile.

A comissão, que regula as marchas na região administrada pelos britânicos, autorizou na sexta-feira que um grupo menor do que o habitual, de 35 pessoas, participasse da marcha entre as 8h e as 9h30.

Inicialmente, ela havia mantido a proibição para o desfile deste ano, mas a decisão foi anulada pelo Tribunal Superior em agosto devido a um erro processual.

FAIXAS LARANJAS E CHAPÉUS-COCO

Um pequeno grupo de membros da Ordem de Orange, vestindo tradicionais faixas de seda laranja e chapéus-coco pretos, reuniu-se em outra parte da cidade, mas não iniciaram a marcha.

Um membro sênior disse à BBC que eles esperariam até que a polícia lhes informasse que o trajeto estava liberado.

Vans da polícia estacionadas perto da Garvaghy Road, ladeadas por policiais em equipamento anti-motim, transmitiram avisos de que qualquer pessoa que participasse do protesto estaria cometendo um crime.

A disputa explodiu em meados da década de 1990 quando, na esteira dos cessar-fogos dos principais grupos guerrilheiros da Irlanda do Norte, tornou-se um símbolo do conflito mais amplo entre nacionalistas predominantemente católicos, que se consideram irlandeses, e protestantes leais ao Reino Unido.

Os Orangemen, cujo nome deriva do rei protestante Guilherme de Orange -- que derrotou o rei católico deposto Jaime 2º na Batalha do Boyne em 1690 --, afirmam que os desfiles fazem parte de sua tradição cultural protestante.

Embora a maioria dos desfiles que ocorrem anualmente em toda a Irlanda do Norte não gere controvérsias, nacionalistas afirmam que os desfiles que passam por áreas católicas são uma demonstração ofensiva de triunfalismo destinada a intimidá-los.

(Reportagem de Amanda Ferguson)

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